É tarde de sábado. No Bosque do Papa João Paulo II, o menino Leandro Lopes dos Santos, de 9 anos, corre e ri com outras crianças de sua idade. De boné azul na cabeça e lenço no pescoço, ele aproveita para brincar nos minutos que antecedem o início da atividade do Grupo Escoteiro Marechal Rondon.
Leandro se tornou lobinho, como são chamados os membros do escotismo de sete a 10 anos, durante uma fase difícil de sua vida. Há um ano, ele se tornou órfão de pai. O menino, que sempre foi agitado, reagiu à perda precoce com indisciplina – tanto em casa quanto na escola. “As notas caíram, ele estava muito rebelde e dengoso”, conta sua mãe, a dona de casa Maria Cristina Padilha Lopes, de 35 anos.
Em meio a esses problemas, resolveram conhecer o movimento escoteiro por sugestão de uma amiga de infância de Maria Cristina, a administradora Suzana D’Ávila, que é chefe dos lobinhos do grupo Marechal Rondon. Leandro começou a participar das atividades, gostou e decidiu entrar no grupo.
Hoje, quase um ano depois, a mãe avalia que os jogos, canções e passeios contribuíram para o desenvolvimento do filho. Além do progresso no boletim, Leandro está mais maduro e consciente. “Ele procura fazer boas ações e se vira sozinho, mostra iniciativa e independência”, compara Maria Cristina.
Cidadania e Autonomia
“Temos vários casos de melhoria no meio familiar e escolar”, conta a presidente do grupo Marechal Rondon, a advogada Valéria Reginatto. Segundo ela, o escotismo é um movimento educacional não-formal que desenvolve em seus membros o conceito de cidadania. “Incentivamos eles a ver que a vida vai além do umbigo deles”, explica.
Com atividades que estimulam o respeito ao próximo, ao meio ambiente e à comunidade, crianças e jovens são instigados a deixar o mundo melhor do que o encontraram. “Em contato com um conjunto de valores que envolve lealdade, cortesia e educação, eles vão naturalmente desenvolvendo senso político, de justiça e de respeito às regras da vida em sociedade”, diz a presidente.
A orientadora disciplinar e coordenadora pedagógica Dora Lúcia Cotrin Alcântara afirma que o escotismo traz inegáveis benefícios à educação dos participantes. “O aspecto cognitivo é estimulado com tarefas de concentração e desafios, como aprender a fazer nós. E há um crescimento global, com o desenvolvimento da autonomia e da integração social”, observa a pedagoga, que tem uma filha escoteira.
Durante as atividades, os membros são colocados em situações em que lideram e são liderados. Isso os prepara para a vida, inclusive para o mercado de trabalho, ressalta Dora: “O contato pessoal com o próximo, que tem se perdido com tanta tecnologia, é resgatado. A vivência em grupo, o trabalho em equipe, a troca, a conversa, tudo isso é muito valorizado”.
De acordo com a pedagoga, é notável o progresso que o escotismo gera em crianças tímidas, medrosas, inseguras ou com déficit de atenção. “As práticas escoteiras mexem nos mecanismos emocional e mental, a criança vê que pode enfrentar desafios e fica mais autoconfiante. Sou apaixonada pela educação e me tornei apaixonada pelo movimento escoteiro”, declara.
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