Alguma vovó de outros tempos iria estranhar tanta mudança. Afinal, quando é que em sua época o pai ficaria com os filhos à noite enquanto a mãe estudava, como é o caso dos modelos Leonardo e Tatiane Bittencourt? Ou ainda, “casado” pelo sentimento, o par resolvesse viver em lares separados, como a antropóloga Marilia Gomes de Carvalho e seu namorado há 20 anos? Essas alternativas ao modelo convencional são cada vez mais freqüentes e demonstram que, ao seu modo, as pessoas estão tentando se manter juntas mesmo numa sociedade consumista e de valores esvaziados.
Segundo Marilia, que fez sua tese de doutorado sobre casamento, descasamento e recasamento, com mulheres curitibanas de classe média, muita gente se casa tendo em mente o modelo romântico e acaba esbarrando nas dificuldades da vida cotidiana, que podem provocar o distanciamento do casal. “Quando acordam do sonho, muitas pessoas percebem que tudo está diferente. Que o príncipe foi embora e só ficou o cavalo, como disse uma das minhas entrevistadas. Normalmente, num segundo relacionamento, os casais tendem a experimentar bases diferentes, sem tanto controle, com mais liberdade e individualidade”, conta. Ela que viveu na teoria e na prática a questão, entende que o amor livre é a solução. “Sobrevivo às cobranças e sei que estar casada e viver em casas separadas para nós é a melhor saída. Eu me sinto casada, somos um do outro e não precisamos de convenções para sustentar isso”, diz ela.
Já o jovem casal, que se divide em diversas atividades e o tempo que sobra é dedicado às tarefas e às crianças, está junto por opção e acredita que cumplicidade é a melhor receita na vida a dois. “Um ajuda o outro. E enquanto ela termina os estudos eu exercito o meu lado pai ideal”, comenta Leonardo. (LJ)
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