Comportamento

Presente sem gafe

Bia Moraes, especial para o Viver Bem
31/07/2005 23:43
Desde que os Reis Magos levaram ouro, mirra e incenso para o recém-nascido Jesus naquela manjedoura em Belém, o ato de presentear ganhou uma nova simbologia no mundo cristão. Relatos históricos dizem que, antes disso, na Roma pagã, as festas Saturninas – realizadas no meio do inverno, em meados de dezembro – eram a época de troca de presentes. Pequenas imagens de deusas eram dadas para garantir sorte e uma boa colheita na próxima estação. Hoje, presentear bem e corretamente é uma verdadeira arte.
O ato de entregar um pacote embrulhado em papel colorido, e aguardar um sorriso luminoso se abrir junto com o presente, é gratificante e remete ao momento de alegria espontânea que guardamos de Natais e aniversários da infância. Mas também está cercado de regras que não podem ser esquecidas, sob o risco de cometer gafes. O bom senso deve imperar e os livros de etiqueta podem ajudar. Há coisas que não mudam nunca: Célia Leão, em seu Boas Maneiras de A a Z, ensina que, nos batizados, cabe aos padrinhos dar a roupa do bebê; e que nos casamentos, quanto antes se envia o presente, melhor. Deixar para a última hora é gafe; entregá-lo na festa ou na igreja, vexame imperdoável. Outra regrinha básica é “jamais presentear com peças de vestuário a quem não se tem intimidade”, proclama Célia Ribeiro no livro Etiqueta na Prática.
E, ao se hospedar na casa de amigos, levar flores ou bombons sempre é de bom-tom. A consultora de etiqueta Daniela Narciso Pacheco vai mais além no tema. “Se o hóspede é de outra cidade, é agradável levar para os anfitriões algo típico de sua região. E lembrar-se que o presente deve ser sempre para a casa”, diz Daniela, que sugere toalhas bordadas para o lavabo ou outros itens de enxoval.
Ajudar nas compras da casa é uma questão delicada, observa Daniela. A menos que a intimidade com os anfitriões seja grande, corre-se o risco de ofendê-los. Uma sugestão é deixar, no dia de ir embora, alimentos supérfluos como bombons, importados ou bebidas. “Assim não fica parecendo que você comprou para consumir”, explica a consultora.
Bebidas são um capítulo à parte. O preceito de que mulheres não devem ser presenteadas com alcoólicos caiu, diz Daniela. “Hoje muitas apreciam vinhos ou espumantes, são conhecedoras de bebidas”, lembra. Por outro lado, antes de optar pela óbvia garrafa de conhaque ou vinho para presentear um homem, é preciso investigar se não há restrições religiosas ou médicas. “Cada vez mais gente deixa de beber por motivos de saúde ou outros”, pondera a consultora.