Trata-se da oportunidade da maison francesa firmar-se também como uma referência em Nova York – e, tal qual sua concorrente Tiffany & Co., se tornar um ponto turístico. A história do prédio já é boa: erguido em 1904 como residência do empresário Morton F. Plant, o edifício de seis andares foi adquirido em 1917 por Pierre Cartier, neto do fundador da marca, em uma negociação improvável. Maisie Plant, mulher do dono da mansão, encantou-se com um colar de 128 pérolas naturais, avaliado na época em US$ 925 mil, e convenceu o marido a trocá-lo pelo imóvel.
“A região estava ganhando caráter comercial e a casa era uma das últimas residências da avenida”, afirma Pierre Rainero, diretor de imagem, estilo e patrimônio da Cartier. “As famílias começaram a mudar para o Upper East Side, por isso o negócio deu certo.” Desde a época, o local funcionou como a principal sede da grife nos EUA e a empresa passou a fazer sucesso entre endinheirados americanos – e estrelas do cinema e da arte, como Elizabeth Taylor, Gary Cooper e Andy Warhol.
Por isso mesmo, elas são as homenageadas no novo projeto, que levou quatro anos para ficar pronto e teve o comando de Thierry Despont, arquiteto francês responsável também pela recente reforma no hotel Ritz, em Paris. “Queria dar às pessoas a sensação de estar de volta à esplêndida mansão que o local já foi”, explica. Ele conseguiu. Com 840 peças de arte e mobiliário vintage, a sensação é de entrar no túnel do tempo.
Se antes apenas dois dos seis andares funcionavam como loja, agora há quatro abertos ao público. Cada ambiente é dedicado a um setor da joalheria e inspirado em um cliente famoso. O salão Andy Warhol, destinado aos relógios masculinos, conta com um autorretrato do artista usando o modelo Tank. Grace Kelly dá nome ao espaço dos anéis de noivado – uma sala clara, com imagens da princesa e dezenas de opções de solitários nas vitrines.
Já o ambiente Elizabeth Taylor traz peças de alta joalheria baseadas no estilo da diva do cinema (ou seja, as mais caras e extravagantes possíveis). “Um de seus maiores diamantes foi comprado de nós em 1969 por Richard Burton, seu marido na época”, conta Rainero. “Naquele ano, a peça foi exposta na vitrine da mansão em Nova York e atraiu milhares de pessoas.” É o que a maison espera agora com a renovação do prédio histórico.



