Conheça a marca curitibana que brilhou no desfile de Ronaldo Fraga na SPFW
Bruna Covacci
27/10/2016 09:00
Juliana Erig, Enzo Yassuda e Léon Córdova: toda a equipe Yë orgulhosa com o resultado do trabalho. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo. | Gazeta do Povo
A Yë, marca de bolsas que tem como conceito o upcyclin, só tinha cinco meses de existência quando espalhou amor no desfile do estilista mineiro Ronaldo Fraga, há um ano, durante a SPFW. Para a ocasião, a artista visual Juliana Erig, de 22 anos, e o designer de produto Enzo Yassuda, de 27, criaram bolsas exclusivas em formato de coração e um modelo de mochila. Ontem à noite, novas peças da marca apareceram no desfile “El dia que me quieras”, coleção-manifesto de Fraga, que trata sobre a violência contra os transexuais e travestis no Brasil.
O protótipo de uma das bolsas desfiladas. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo.
No Theatro São Pedro, quatro modelos de bolsas: uma de mão, uma pequena, uma média e uma grande completaram os looks dos travestis e transexuais que desfilaram. Com estampas que imitam corsets, rendas e o design da meia-calça, as peças fazem referência ao estilo dos anos 1920 e a estética art déco. O couro foi estampado com tinta UV com a técnica de impressão digital. Os matérias clássicos usados pela grife (couro e madeira) apareceram com processos diferentes do que os designers estão acostumados a fazer. O corte da madeira é feito a maquina e o revestimento é feito à mão com lâmina de madeira.
Detalhe do couro estampado durante a montagem da bolsa. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo.
Na apresentação, com uma música o mesmo vestido e a mesma bolsa puderam contar várias histórias sendo representados por estampas e cores diferentes. É como se fosse uma brincadeira com uma bonequinha com roupas de papel, provando que as mesmas pessoas podem ter identidades diferentes, mas que, na essência, todas são iguais e têm os mesmos direitos, devendo ser respeitadas por suas escolhas.
Todo acabamento do produto é feito à mão. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo.
Processo de produção
Nos últimos meses o estilista Ronaldo Fraga esteve algumas vezes em Curitiba e em algumas dela encontrou os designers da Yë. Assim que ele apresentou o tema da coleção, Juliana e Enzo se interessaram e disseram ao estilista que gostariam de colaborar (historicamente, Ronaldo não costuma usar bolsas em seus desfiles).
Enzo e Juliana discutem sobre o processo de montagem. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo.
As referências visuais chegaram no último mês; o jacquard desenhado por Ronaldo aterrissou em Curitiba com menos de uma semana até o grande dia. Os protótipos foram feitos em um dia e aprovados por foto pelo estilista.
Juliana recorta o couro manualmente. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo.
Segundo os designers, numa tarde é possível fazer a montagem de quatro peças. O mais demorado é esperar o corte da madeira e a impressão do couro. Depois que o couro e a madeira chegam é preciso lixar para artesanalmente para deixar o produto perfeito e laminar. Aí são colocados os fechos, que, agora, aparecem com ímã, mesclando cada vez mais o artesanal e o tecnológico/digital nas coleções. Ao todo, foram produzidas 12 bolsas para o desfile.
Juliana na máquina de costura. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo.
Pós Ronaldo
Desde que começaram a ter contato com Ronaldo Fraga, Enzo acredita que eles tenham se tornado mais rigorosos e críticos o próprio trabalho. Além disso, alinharam melhor a produção para confeccionar a quantidade necessária para cada coleção. As peças da primeira parceria com o estilista mineiro ainda não foram vendidas pela Yë, mas estarão expostas numa loja temporária que Fraga deve abrir em Curitiba, no Pátio Batel, no começo do mês.
Equipe toda trabalhando na produção dos modelos do desfile. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo.
Equipe toda trabalhando na produção dos modelos do desfile. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo.