Moda e beleza

Na SPFW, marcas abandonam padrões e apostam na diversidade

Bruna Covacci, convidada especial
15/03/2017 19:42
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Cinto com estampa de arco-íris, de Vitorino Campos. Foto: Agência Fotosite.

A São Paulo Fashion Week, maior evento de moda da América Latina, que acontece até a sexta-feira, 17, também é palco para discussões sobre o futuro. Na manhã de quarta-feira (15), Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva, participou de um bate-papo sobre novos mercados e comportamento. Durante a conversa, que faz parte do Projeto Estufa, o especialista afirmou que as marcas precisam promover uma comunicação que valorize a diversidade. “Isso é inovação”, disse. Segundo ele, a ideia aspiracional começa a mudar a sociedade brasileira.
Modelo mais velha foi destaque na apresentação da UMA. Foto: Agência Fotosite.
Modelo mais velha foi destaque na apresentação da UMA. Foto: Agência Fotosite.

“Empresas que utilizam a segmentação para classificar seus públicos (renda, idade, opinião, comportamento) não enxergam que as próprias pessoas podem não achar importante classificá-las”, comenta.

E mais do que isso: existe uma nova geração que quer quebrar padrões. O aumento da renda feminina muda o mercado comercial, enquanto 67% das mulheres brasileiras dizem que as propagandas de televisão são “padronizadas” e 71% não se identificam com a forma de representação.
O resultado? 61% delas se sentem frustradas com os padrões de beleza. “E vender roupa é vender autoestima. Os caminhos são opostos”, explica Meirelles.
Outra bandeira a ser levantada é a da liberdade de ser o que se quer: 95% dos brasileiros não compram marcas que não representem diversidade. “O preconceito atrapalha os números”, comenta.
Modelos sem camisa na SPFoW. Foto: AFP.
Modelos sem camisa na SPFoW. Foto: AFP.
E como tudo isso está sendo representado na SPFW? De forma ainda tímida, as marcas estão mostrando sua própria personalidade.
Vitorino Campos, por exemplo, desfilou meias e cintos com estampas do arco-íris, símbolo LGBT. Transgressora, a Ellus foi provocativa: trouxe um modelo que entrou conduzindo um dobermann (ambos usando coleira) e um casal desfilou sem camisa e com os peitos de fora (ela fumando cigarro).

A mensagem? Ser o que se quer e igualdade de gênero.

O destaque da UMA foi uma modelo sexagenária. Na Isabela Capeto quem marcou presença foi a modelo trans Valentina Sampaio, destaque da última edição do evento. Os cinquentões também invadiram o catwalk da Ellus. A modelo mineira Paola Antonini, que teve uma perna amputada depois de um acidente, esteve na SPFW e diz que, aos poucos, percebe a inclusão nas coleções das marcas e nos desfiles: mas reconhece que o caminho para a representatividade de todos ainda é longo.
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