Saúde e Bem-Estar

Ajuste os ponteiros do seu corpo

Camille Cardoso, especial para a Gazeta do Povo
07/07/2013 03:04
Cenário 1: ela acorda bem cedo todos os dias, sempre disposta a fazer exercícios antes do trabalho e por volta das 22 horas está nos braços de Morfeu. Cenário 2: ele se concentra mais de madrugada, dorme poucas horas antes do amanhecer e acorda quando a manhã passou faz tempo.
O senso comum até pode pregar que a pessoa do primeiro cenário tem hábitos mais saudáveis e a do segundo tem um comportamento boêmio, considerado inadequado. Mas o fato é que não existe certo e errado no quesito relógio biológico, segundo a ciência denominada cronobiologia. Afinal, nascemos com um certo ritmo interno que deve ser respeitado até para evitar doenças sérias como hipertensão, obesidade, derrame (acidente vascular cerebral) e falência do coração.
O desafio, na realidade, é ajustar os ponteiros internos para que o corpo e a mente funcionem durante compromissos de trabalho e lazer. O nosso relógio biológico pode, sim, ter seus ponteiros acertados na maioria das vezes, mas a dificuldade em conseguir isso é tão grande que hoje em dia é quase regra não haver regra – e o corpo paga o preço do que um grupo de estudiosos da Universidade de Munique (Alemanhã) chama de jet lag social.
A síndrome ocorre devido ao descompasso entre os compromissos diários e o relógio biológico e faz referência à fadiga provocada por viagens a cidades com o fuso horário diferente. O resultado é o sono sempre atrasado e, em um último estágio, a obesidade.
Em geral, os compromissos sempre vencem as necessidades do nosso corpo. E quem mais perde é o sono, que tem a importante função de ajudar a equilibrar funções hormonais e manter nosso corpo em alerta no dia seguinte. O biólogo Luiz Menna-Barreto, do Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento e Ritmos Biológicos (GMDRB) na Universidade de São Paulo (USP), lembra que a meta de oito horas diárias de sono é mito. A necessidade pode variar de quatro a 12 horas diárias, dependendo da fase da vida.
Qualidade
Mas não basta estar na cama durante esse tempo. “É importante preservar a qualidade do sono, passando por todas as suas fases”, diz ele. Portanto, é possível que os hábitos da vida moderna estejam mascarando a nossa real necessidade de sono. Um dos fatores para isso é o uso de internet e tevê nos quartos – a quantidade de luz é um dos fatores que fazem nosso corpo acordar ou se manter desperto, não importando o horário.
A adequação da rotina, segundo especialistas, passa necessariamente pelo autoconhecimento. Como cada pessoa tem seu ritmo, é preciso conhecê-lo e saber até que ponto a adequação é possível. “Considerar a falta de rotina como um problema vai ao encontro de a pessoa ter algum sofrimento em relação as suas preferências de horários de sono e de vigília”, afirma a médica Rosa Maria Levandovski, do Laboratório de Cronobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Portanto, se alguém se sente bem – alerta durante o dia, sem irritação – não há motivos para mudanças, por mais estranhos que sejam os seus horários.
Outro ponto: a adaptação não pode ser súbita, mas gradual. “Como, em geral, queremos adiantar nossos ritmos, a recomendação é reduzir ao máximo a exposição à luz após o entardecer (tevê, computador inclusive) e aumentar a exposição à luz de manhã (por exemplo, por meio de uma caminhada)”, afirma o neurofisiologista Fernando Mazzilli Louzada, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Disciplina e paciência ajudam muito.
Agradecimentos: pelo relógio despertador Temps (R$ 97,50), à Tok&Stok de Curitiba, fone (41) 2111-7201; pelo cenário do quarto, à loja Artefacto Curitiba, fone (41) 3111-2300.

Relógio biológico