Independente, dependente parcial ou total. O grau de necessidade de um idoso está relacionado a alguns sinais – provenientes de alterações de resposta física, cognitiva, sensorial ou psicológica –, que definem se ele precisará de ajuda rotineira da família.
Para uma população cujos idosos têm alcançado com facilidade os 80 anos, os filhos precisam ficar atentos a comportamentos que podem indicar alguma dependência.
As escalas de avaliação clínica bastante utilizadas por médicos geriatras e generalistas existem desde a década de 1960 e ainda são referência: as escalas de Katz e Lawton. Apesar da necessidade de ser feita também uma avaliação sócio-familiar e do modo como os parentes se relacionam com o idoso, observar atentamente a capacidade de realizar atividades básicas ou elaboradas ajuda a família a definir uma nova rotina.
Sem isolamento
Se a pessoa acima dos 60 anos se locomove bem, desenvolve atividades diárias com destreza e sem colocar alguém em risco, sem sinal de lapsos de memória ou confusão mental, não há necessidade de os filhos reforçarem o acompanhamento. Mas quanto mais avança a idade, o risco de surgirem dependências tende a aumentar.
Para que os cuidados não fiquem aquém do necessário, ao sinal de mudanças sensíveis no cotidiano o idoso deve passar por uma avaliação de um geriatra ou generalista. A facilidade que ele tem em tomar banho, ir ao banheiro, alimentar-se e locomover-se, bem como em preparar a própria comida, administrar os medicamentos e as finanças pessoais, juntamente com fatores familiares e doenças, definirão se ele é dependente total, parcial ou independente. “A transição para a dependência costuma ocorrer, na maioria das vezes, por fragilidade física ou cognitiva”, diz o geriatra do Hospital Sugisawa, Breno Barcelos.
Mesmo quando o idoso está com as funções cognitivas adequadas, os familiares devem ficar atentos aos sinais. Fogão ligado sem necessidade, gás aberto e limpeza atrasada da casa são indicativos de que talvez ele esteja precisando de ajuda. “Às vezes a mãe ou o pai falam que não tiveram tempo de limpar, mas será que não tiveram tempo só ontem ou faz alguns dias que não tiram o lixo? Não tomou banho hoje, mas e ontem? Esta rotina tem de ser observada”, cita Débora Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) Seção Paraná.
Na própria casa
Caso seja identificada a necessidade de algum acompanhamento, a primeira medida é não afastá-lo de seu ambiente familiar. Tentar primeiramente que ele permaneça em sua própria casa ajuda a preservar a saúde mental, prevenindo a depressão, cuja incidência em idosos chega a 10%. “Em casos de filhos que vivem em outra cidade é inevitável que o idoso tenha de ir a uma instituição de longa permanência, mas este não deve ser o primeiro recurso”, explica o geriatra do Hospital São Lucas e Nossa Senhora das Graças, Carlos Eduardo de Paulo Cardoso.
O mais adequado é não retirar dele todas as responsabilidades, mesmo se este idoso passou a esquecer o fogão ligado, o gás aberto ou não tem mais força no braço. Ele pode ser responsável por outras funções, como colocar a mesa, cuidar da salada ou do suco. Nenhuma mudança drástica deve ser imposta, mas sim sugerida com respeito.
Perda de autonomia é o maior medo
Censurar atividades que o idoso está acostumado a fazer pelo simples fato de ele ter ‘atingido a idade’ prejudica o envelhecimento natural, gerando situações de conflito desnecessárias. Um cuidado além do esperado pode causar dependência inexistente. “A perda da autonomia é um dos piores receios dos idosos”, diz Maria de Mello, pós doutora em Tecnologia Assistiva. O medo de ter de depender de alguém do dia para a noite faz com que muitos deles omitam informações nas consultas.
O temor de sofrer quedas vem em segundo lugar. “Alguns têm mais medo de cair na rua e precisar de ajuda de um parente do que propriamente de morrer”, diz a geriatra Débora Lopes. A queda pode ser também apenas um sinal de que algo vai mal, como efeito de uma infecção urinária, pneumonia ou de medicação que esteja afetando a pressão ou o equilíbrio. A mortalidade no primeiro ano após a queda atinge cerca de 50% dos idosos – a principal causa de morte acidental em pessoas acima dos 65 anos.
Incentivo
Os filhos devem ajudar
Incentive atividades que ajudam a prevenir doenças visuais, auditivas, cognitivas e a perda de força:
A idade da musculação
Exercícios com resistência estimulam a reversão e a prevenção da perda de força muscular, que dificulta o andar, e ajudam na reabilitação em casos de quedas e fraturas. O tai chi chuan também ajuda a prevenir quedas.
Aparelho o quanto antes
A perda de audição gera isolamento social. O ideal é que, logo nos primeiros sintomas, o idoso receba o aparelho auditivo e, assim, quando a audição piorar, ele já esteja bem acostumado.
Remédio: aula de idiomas
A demência atinge até 40% dos idosos acima dos 90 anos. Para preservar a reserva cognitiva, o ideal é estudar idiomas, que exige uma ação intelectual mais complexa.
Vacinação continua
Bronquite, bronquiolite, traqueobronquite e pneumonia podem ser prevenidas. A imunização contra Influenza previne gripe e pneumonia viral primária ou bacteriana secundária. Tétano e difteria também têm vacinas.
Adeus catarata!
A lesão ocular da catarata tem tratamento com cirurgia a laser, mais seguro e rápido, além de, em 90% dos casos, restituir toda a visão do paciente.
Fontes: Nezilour Rodrigues, geriatra presidente da SBGG nacional e Hamilton Moreira, oftalmologista do Hospital de Olhos do Paraná.
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