Saúde e Bem-Estar

Cães podem ajudar donos durante crise de epilepsia

Bruna Covacci
24/08/2015 12:19
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Cercada de preconceito, a epilepsia está longe de ser uma possessão demoníaca ou algo relacionado ao sobrenatural. O distúrbio neurológico que hoje atinge cerca de 2,5 milhões de pessoas no Brasil, na maioria dos casos, não impede que os portadores trabalhem e tenham uma vida normal.
A americana Shannon Locke, 21 anos, foi diagnosticada com epilepsia grave depois de sofrer um ataque quando ela tinha 17 anos. No ápice da doença, ela chegava a ter até 20 convulsões por dia, forçando Shannon para abandonar a faculdade e ficar em casa. Foi aí que, segundo reportagem do Belfast Telegraph, escolheu um cachorro para lhe fazer companhia. Segundo ela, a decisão foi crucial para dar o pontapé inicial para desenvolver uma pesquisa que comprovaria os benefícios da ajuda dos cães para pessoas que sofrem com a doença em todo o mundo. “Eu espero que eu possa conseguir algo que vai ajudar outras pessoas”, disse ela.
Para ela, alguns cães são capazes de saber que o dono terá um ataque até 40 minutos antes da crise acontecer. Para disseminar o projeto, Shannon postou um vídeo mostrando Poppy, sua cachorra, ajudando-a durante uma crise. Na ocasião, Poppy a avisou 15 minutos antes, permitindo que ela fosse para um lugar mais seguro (a cama). Poppy auxilia lambendo o rosto para que Shannon retorne a si mais rápido e removendo sua saliva, impedindo que ela se engasgue. Antes de Poppy, a tutora demorava horas para voltar a si.
Assista:
Crises
A crise mais conhecida desencadeada pela epilepsia é a convulsão, em que a pessoa se debate e tem salivação intensa. No entanto, não é a mais comum, segundo a neurologista especialista em epilepsia, Elizabeth Bilevicius. Ela explica que o quadro de crises é variado. Uma delas é a chamada crise de ausência, bastante presente na infância, na qual a pessoa desliga, fica parada por alguns segundos, sem nenhuma reação. Outros tipos de crise podem desencadear movimentos automáticos sobre os quais o indivíduo não tem controle. Essas são conhecidas como crises focais.