
A Doença de Lyme ganhou repercussão e atenção da mídia do mundo inteiro após acometer a cantora canadense Avril Lavigne, de 30 anos, afastada dos palcos há cinco meses por conta dessa zoonose transmitida pela picada do carrapato. Em entrevista publicada pela revista People no dia 1.º de abril, Avril contou que contraiu a doença após uma viagem para Las Vegas, em outubro do ano passado, para comemorar seu aniversário: “Eu pensei que estava morrendo. Não tinha ideia de que uma mordida de carrapato poedria fazer isso”, declarou. Ela revelou ainda o que sentiu e o quanto o tratamento é penoso: “Definitivamente, houve vezes em que não podia tomar banho por uma semana inteira, porque mal podia suportar a dor. Parecia que toda a minha vida estava sendo sugada para fora de mim”, comparou.
A Doença de Lyme é mais comum nos EUA e em algumas regiões da Europa, principalmente nas áreas rurais. No Brasil, a incidência é rara — porém, é preciso ficar atento a outras infecções tão graves quanto, também causadas pela picada de carrapato, como a febre maculosa, por exemplo.

A febre maculosa brasileira é transmitida pelo carrapato da espécie Amblyomma cajennense, infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii, e os transmissores podem parasitar qualquer animal, desde os de grande porte aos domésticos – as capivaras são o maior hospedeiro natural dos carrapatos. De acordo com o professor do curso de medicina veterinária da UFPR Marcelo Brandão Molento, os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo concentram as bactérias mais letais, mas as formas menos violentas podem aparecer em outras regiões.
No Paraná, o primeiro caso relatado foi em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, em 2005. “Foi o primeiro caso de que se teve conhecimento, o que não significa que não houve outras ocorrências”, afirma o professor, que alerta para a falta de conhecimento que ainda existe sobre a doença, e também para os primeiros sintomas. “Febre, dor de cabeça, tontura e dor nas articulações são alguns sinais de alerta, mas como eles aparecem de forma branda e são semelhantes a outras infecções, podem retardar o tratamento e agravar o quadro”, afirma o veterinário. As máculas eritematosas (origem do nome da doença) na pele, que são manchas avermelhadas, também podem aparecer logo no início.
Sinais de alerta
Os carrapatos mais jovens são os vetores mais perigosos, pois por serem muito pequenos são facilmente confundidos com um mosquito.
A manifestação da doença aparece de duas a quatro semanas após a picada e, muitas vezes, a pessoa nem lembra ou sabe que foi picada por um carrapato. Além disso, os sintomas comuns a outras infecções acabam confundindo o diagnóstico.
Em ambientes rurais ou onde a incidência dos carrapatos seja maior, examine seu corpo em pequenos intervalos de tempo, pois para transmitir a doença eles precisam ficar pelo menos quatro horas agarrados à pele. Além disso, prefira roupas claras, para enxergá-los com mais facilidade.
Os transmissores de febre maculosa podem parasitar qualquer animal, sem restrição. Diferentemente das pessoas, os animais não apresentam sinais clínicos da doença, apenas muita coceira.
O carrapato não morre, mas fica menos ativo no inverno frio e seco. A precocidade do diagnóstico é imprescindível para o tratamento, à base de antibióticos. Não há contágio de uma pessoa para outra e nem vacina.
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