Realizar check-ups periódicos que envolvem avaliação cardiológica e rastreamento oncológico é algo comum, mas profissionais médicos ainda pouco solicitados, os nutrólogos, têm proposto acompanhamento sistemático do estado nutricional para identificar problemas causados pelo excesso ou deficiência de nutrientes.
Para a nutróloga Isabela David, que defende a importância das consultas periódicas à especialidade, nutrólogos e nutricionistas exercem atividades complementares – “um tem foco nos nutrientes, outro tem foco nas dietas”, explica ela. A importância dos médicos, segundo a nutróloga, está no conhecimento específico voltado para o diagnóstico e tratamento de doenças, a solicitação de exames diagnósticos – dos mais corriqueiros até os mais sofisticados, como de nutrigenética e nutrigenômica – assim como a prescrição medicamentosa.
Como o acompanhamento com o nutrólogo faz a diferença?
O check-up nutrológico com periodicidade pelo menos anual é fundamental para acompanhar sistematicamente o estado nutricional ao longo dos anos. Se houver algum parâmetro alterado, o paciente é orientado a fazer um tratamento até atingir a normalidade. Na consulta o paciente recebe informações consistentes sobre prevenção de doenças através da alimentação e do uso de suplementações e é submetido a testes específicos que podem ajudá-lo a reduzir o risco de manifestação de doenças às quais ele pode estar predisposto geneticamente.
Quais exames são feitos em um check up nutrológico?
A antropometria e a análise da composição corporal são essenciais. Os exames laboratoriais são individualizados, dependendo da idade, história clínica, hábitos alimentares, exposição a substâncias tóxicas, gravidez, lactação, doenças, estresse, uso do cigarro, de bebidas alcoólicas e prática de atividade física. Entre muitos exames laboratoriais, há a dosagem direta ou indireta das vitaminas C, E, K, A, B, D, zinco, cobre, manganês, selênio, ferritina, osteocalcina, exame coprológico funcional, teste de tolerância à lactose, além dos rotineiros de função hematopoiética, tireoideana, renal, hepática, eletrólitos, ácido úrico, metabolismo da glicose, perfil lipídico e parâmetros inflamatórios, imunológicos, hormonais e enzimáticos.
Quais são os erros mais comuns cometidos pelos adultos quando o assunto é nutrição?
Em geral, não se valoriza a informação ou há desinformação sobre o papel dos alimentos na redução de risco de doenças. As pessoas também pouco sabem sobre as alterações do metabolismo que ocorrem com a idade e a importância da alimentação adequada em relação à atividade física. Por outro lado, o excesso de informações sobre saúde pode contribuir para a não valorização. Por isso é necessário buscar o profissional que forneça informação de referência.
Quais são as lições de ouro na hora de mudar de vez a alimentação para melhor?
Planeje a sua rotina, para que tenha sempre tempo disponível para a compra de alimentos saudáveis. Evite sentir fome, pois ela é desequilibrante, predispondo-nos a não valorizar a qualidade alimentar, a comer muito e sem mastigar devidamente. Mantenha-se informado e tenha um nutrólogo de confiança.
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