Saúde e Bem-Estar

Desistir da academia, nunca mais!

Amanda Milléo
20/02/2014 04:00
Se a falta de tempo foi a desculpa que você usou para abandonar os exercícios, saiba que não está sozinho. O Viver Bem-Saúde&Bem-estar conversou com professores de cinco grandes academias de Curitiba e descobriu que esta é a justificativa mais escutada entre os desistentes — que segundo pesquisas chegam a seis em cada dez praticantes passados apenas seis meses.
A grande distância da academia de casa ou do trabalho, a falta de ter alguém com quem ir junto fazer exercícios ou com quem deixar os filhos, além da redução do prazer e do estímulo para a atividade também são motivos citados. Para reverter esse quadro, as academias têm promovido aulas mais curtas, estimulado o acompanhamento de personal trainers para quem precisa de um empurrãozinho e criado competições animadas entre os alunos.
Para quem sofre comichão após meia hora de academia, os conhecidos circuitos de trinta minutos com aparelhos, como o da Curves, voltada apenas para mulheres, foram a salvação. Neste ano, a novidade é a aula 20 Minutes Workout, da academia BodyTech, que trabalha o corpo de forma dinâmica com alto gasto calórico, segundo o professor Rodrigo Farion. “Depois da atividade, o aluno pode continuar com outros exercícios, apesar de ele sair esgotado”, explica o professor de musculação, running e personal. Para a professora da Cia Athletica, Andressa Zytkowski apesar de muita gente ir para a academia e ficar uma hora e meia, de 40 a 50 minutos bem feitos são o suficiente para trabalhar a parte muscular e aeróbica, diz ela.
Fuja da balança
A balança não deve ser a melhor companheira ao longo dos treinos. Não acredite somente no que ela aponta. O fato de o peso continuar o mesmo após algum tempo de exercícios não significa falta de resultados. Quem briga com ela todos os dias está controlando apenas a perda de líquidos, não os efeitos da atividade física. Gordura é diferente de massa muscular magra e duas pessoas com o mesmo peso podem não indicar a mesma condição. “Às vezes duas pessoas pesam 80 kg e a diferença é que uma tem 20 kg de massa muscular magra e a outra tem 20 kg de gordura”, diz o pesquisador Pedro Morales.
Para não ser enganado pelo corpo, faça uma avaliação física. “Primeiro, o profissional faz uma entrevista com o aluno para descobrir seu histórico. É importante saber quantas vezes a pessoa já pensou em fazer exercícios, quantas vezes começou e parou, como é a saúde do aluno e o contexto do histórico familiar”, exemplifica Morales. Em seguida, é feita a medição do porcentual de gordura, massa muscular, massa magra, qual o biótipo, entre outros aspectos físicos. A partir destas informações, o professor consegue montar o melhor trabalho possível para que o resultado chegue mais rapidamente. “É essencial detalhar tudo ao professor e não esconder que fuma, que toma remédios para emagrecer ou outras questões de risco”, alerta.
Se a balança não mostra os resultados, a avaliação física periódica dará conta do recado. A cada dois ou três meses, converse com o professor e agende a próxima avaliação.
Rotina confinada
O problema não são os exercícios, mas ficar preso em um mesmo ambiente por diversos dias? Ou, ainda, fazer sempre os mesmos movimentos, nos mesmos aparelhos? Calma, também há solução para estes casos, que depende de cada academia.
Os meninos do CF Trainer têm uma “sala” especial para os treinamentos funcionais: o Parque Barigui. Há um ano, as aulas diárias são na grama utilizando cordas, caixotes e outros aparelhos. Segundo um dos idealizadores do projeto, Renato Luiz Cazula, a ideia é justamente tirar a pessoa do ambiente fechado e sentir o sol, o vento e a natureza enquanto pratica os exercícios. Ele garante que as aulas de sábado, muito concorridas, nunca foram canceladas por causa de chuva. As aulas duram em média 40 minutos nos dias de semana e nos sábados pela manhã.
Mais raras, mas ainda assim estimulantes, duas vezes ao ano a Be Happy leva os alunos dos exercícios funcionais de crossfit para uma chácara, onde é montado um circuito extremo, adaptado a cada idade. O ‘ICan Be Extreme’ reúne crianças, adultos e idosos. “As pessoas montam equipes, competem e acabam entendendo que, mesmo quando estiverem em forma, não dá para parar as atividades”, diz a gerente técnica da academia, Paola Rojas.
Adolescência
A faixa etária mais frequente das desistências nas academias é a adolescência. Dividir a atenção de meninos e meninas com smartphones, tablets e computadores é uma dificuldade. “Antes, a diversão era ter uma atividade, reunir os amigos em algum espaço, como a academia. Era muito mais fácil chamar a atenção para a modalidade esportiva ou atividade física. Agora o professor fica de olho no nível de entusiasmo da turma e lança a cada aula desafios para o próximo encontro”, explica o gerente da academia Gustavo Borges do Barigui, Fernando Magalhães.
Para evitar a monotonia das aulas e a redução do estímulo ao longo do ano, elaboramos um plano diversificado de atividades para quatro trimestres, prevendo situações que colocam em risco a rotina de exercícios e as possíveis soluções para não perder o ânimo: