Saúde e Bem-Estar

Em busca da fertilidade

Amanda Milléo
21/11/2013 02:26
Após um ano tentando ter filhos sem sucesso, o casal decide esclarecer as causas da possível infertilidade. Porém, apesar de a investigação do sistema reprodutivo masculino ser mais simples, barata e menos invasiva que a realizada nas mulheres, são elas quem acabam tentando primeiro buscar respostas junto aos ginecologistas. Por vezes, somente muito tempo e diversos procedimentos depois, o parceiro inicia sua busca com o especialista masculino.
Segundo pesquisa desenvolvida pelo Centro de Pesquisa para Engenharia Genética e Biotecnologia da Academia da Macedônia para Ciências e Artes, em 2012, cerca de 20% das causas de infertilidade são decorrentes do fator masculino, mas a participação do homem pode chegar a outros 40% dos casos, quando os motivos são decorrentes tanto dele quanto dela. O restante, 40%, tem causa estritamente feminina.
Para o ginecologista e secretário executivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, Mario Cava­­gna, a saúde reprodutiva do homem é muito fácil de ser avaliada, pois o próprio ginecologista pode solicitar o espermograma para verificar a quantidade de espermatozoides, a motilidade deles e se há alguma alteração. “Se tudo estiver normal, uma triagem basta. Assim exclui-se o homem e parte-se para a investigação da mulher”, comenta.
Homens
A sequência de investigação do homem inicia com a anamnese, quando se questiona o antecedente de causas conhecidas de infertilidade, como a ocorrência de testículo fora do lugar, se ele passou por uma quimioterapia na infância, se tomou testosterona, entre outros. “Ter tido caxumba na infância ou ter sofrido alguma batida na região da pelve, como em acidentes de moto – que causam impacto entre a pelve e o tanque, pode ser a causa”, diz o urologista do hospital Vita Batel e master coaching da Cuidado e Saúde, Rogério Fraga.
Após a anamnese, o ho­­mem passa por exames físicos que verificam a mais frequente causa da infertilidade, a varicocele, como explica o chefe do departamento de andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia, Marcelo Vieira.
A partir da identificação da origem do problema, exames direcionados são solicitados pelo médico. “Caso o exame físico não aponte problemas e o espermograma revele uma redução da qualidade seminal, o médico pede uma avaliação hormonal e genética”, explica Vieira.
Mulheres
A rotina de investigação das mulheres tende a ser mais trabalhosa. Assim como o homem, ela passa por uma entrevista, na qual recorda antecedentes menstruais, as cirurgias pelas quais passou, infecções, a regularidade dos ciclos, se sente muita cólica, se já passou por gestações, entre outras questões. Em seguida é feito o exame físico, constatando o peso, altura, pressão arterial, o exame ginecológico e é verificada a dosagem hormonal. “Excesso de peso pode acarretar dificuldades de ovulação. Em um toque percebemos o tamanho do útero, os ovários, o colo do útero, se há corrimento ou infecção. Tudo isso é importante na gênese de um problema reprodutivo e são exames fundamentais”, diz o ginecologista Mario Cavagna.
Normalmente, são feitos depois exames como a histerossalpingografia – uma espécie de radiografia do útero e das trompas uterinas, solicitada sempre que há queixa de infertilidade. “Mesmo que na história seja identificado um problema ovulatório, antes de cuidar disso, devemos nos certificar que as trompas estão permeáveis. Não adianta estimular a ovulação por meses, pois ela não irá engravidar se as trompas estiverem obstruídas”, explica Cavagna.
Causas mais comuns
As causas femininas mais comuns de infertilidade são o fator tuboperitoneal (obstrução das trompas) e problemas ovulatórios, como a síndrome dos ovários policísticos e a endometriose. Segundo o ginecologista Mario Cavagna, o número de mulheres com endometriose tem aumentado nos últimos anos devido a alguns fatores. “A mulher está menstruando cada vez mais porque ela espera mais até engravidar, tem mais ciclos menstruais e libera mais óvulos. Além disso, a primeira menstruação tem vindo cada vez mais cedo e quanto antes vier, maior o risco da doença”, comenta o ginecologista. A tensão emocional diária também é um fator que contribui com os sintomas, como cólica, dores nas relações e infertilidade.
A participação masculina na in­­fertilidade é caracterizada principalmente pela redução na quantidade de espermatozoides, bem como na velocidade e alterações nas formas. Mas, a varicocele é considerada a causa mais comum de infertilidade masculina. “São varizes testiculares que aparecem na puberdade. Por ser assintomática, não é feito o diagnóstico no momento, só se faz quando o homem busca engravidar. A repercussão da varicocele é a infertilidade”, explica o andrologista Marcelo Vieira. Caso sejam identificadas as varizes, o tratamento envolve medicamentos, uso de suspensório escrotal durante a prática de exercícios físicos e cirurgia para correção das veias varicosas.
Espermograma
Também chamado de análise seminal, o espermograma não consegue verificar todos os aspectos do fator masculino, visto que é um exame de probabilidade e não de diagnóstico. Caso venha alterado, não trará a causa, apenas o indicativo de que pode haver um problema. Ele verifica três características principais do esperma: a quantidade, concentração de espermatozoides; a motilidade, velocidade que eles chegam e se há alguma alteração na forma dos gametas. Fatores da vida moderna, como poluição ambiental, estresse, tabagismo, obesidade e alimentação desregulada afetam a qualidade do sêmen e, por consequência, a fertilidade. Por isto, a anamnese e o exame físico devem ser feitos antes.