Saúde e Bem-Estar

Estima-se que sejam feitas três milhões de angioplastias anualmente no mundo

Mariana Scoz
21/02/2013 03:30
A angioplastia é a intervenção mais realizada ao redor do mundo. A técnica médica criada em 1977, por Andreas Grüntzig, na Suíça, teve tanto êxito que se tornou parte do vocabulário de quem convive com problemas cardíacos. O cardiologista chefe de Bern, capital da Suíça e da cardiologia intervencionista, Bernhard Meier, participou da primeira angioplastia ao lado de Grüntzig, seu tutor. Meier esteve no Brasil no 12.º Simpósio Internacional de Cardiologia Intervencionista, que aconteceu em Curitiba recentemente. O encontro, promovido pelo Hospital Cardiológico Costantini, discutiu as novas técnicas na área. Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, ele falou sobre a famosa intervenção:
Como foi a experiência da primeira angioplastia?
Foi bastante empolgante. Havia apenas dez pessoas na sala. Andreas Grüntzig disse que iria testar algo novo no paciente, em vez de fazer a cirurgia. Já havia sido feito em animais e em artérias da perna, mas nunca em vasos menores, como os do coração. O cirurgião deu seu ok, mas estava cético – estava acostumado a fazer pontes de safena. Quando deu certo, todos comemoraram.
O que é a angioplastia?
Um pequeno tubo plástico é introduzido na artéria da coxa do paciente, que permanece acordado, até que chegue ao coração. É menos invasivo que a ponte de safena, não causa dor, mas é mais difícil. O médico precisa empurrar o tubo até o lugar do estreitamento e abri-lo, com um balão que é inflado. É preciso fazer esse procedimento para cada um dos bloqueios.
Qual a importância dessas técnicas?
A doença arterial coronariana é a principal causa de morte entre homens e mulheres. Ela ocorre pelo estreitamento dos vasos e arté­rias que levam oxigênio e energia para o coração. As artérias são pequenas, cerca de 2 a 3 mm, por isso os estreitamentos dificul­tam a passagem de sangue e tornam-se um problema. A ponte de safena é usada para casos mais avançados e severos, enquanto a angioplastia é para casos mais simples, quando a doença está nos estágios iniciais.
Quais pacientes não devem fazer a intervenção?
Aqueles em estágio avançado da doença, com muitos estreitamentos. Se houver mais de cinco ou seis e se estiverem por muito tempo bloqueados, a cirurgia é mais indicada.
Qual a taxa de sucesso?
Existem complicações, mas a taxa de sucesso é de 95%. Desde a entrada dos stents em 1986, que ficam na artéria depois que o balão é inflado e libera o local, as compli­cações severas são de apenas 2%. Apenas cerca de 0,5% dos pacientes não sobrevivem à intervenção. Muitas angioplastias são feitas durante um ataque cardíaco, quando o paciente está para morrer. A mortalidade nestes casos é de 5%, mas se não fosse feita a intervenção seria de 15%.
Existem novidades na área?
Os stents melhoraram a intervenção e hoje há materiais mais flexíveis e fáceis de manipular. Há dez anos, eles são cobertos por medicamentos, o que melhorou os resultados. Eles impedem que o tecido cresça ao redor do stent, o que dificultaria a passagem de sangue.
Quais são os cuidados necessários após a cirurgia?
O paciente sai praticamente pronto para continuar a sua vida e praticar esportes. Entretanto, ele deve tomar remédios que afinam o sangue, como a aspirina.