Saúde e Bem-Estar

Maus hábitos a um clique

Mariana Scoz
21/02/2013 03:08
Os smartphones têm chegado cada vez mais cedo às mãos de adolescentes e crianças. Para eles os aparelhos são uma distração, com milhares de opções de jogos e aplicativos (apps). Mas os pais desatentos devem abrir os olhos: entre os apps disponíveis em lojas online, há aqueles que fazem apologia ao consumo de cigarro e drogas. Muitos deles podem ser baixados gratuitamente, sem a necessidade de senhas ou quaisquer restrições.
Uma pesquisa feita por pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Sydney, na Austrá­lia, encontrou 107 aplicativos que faziam apologia ao fumo à venda em fevereiro de 2012, tanto para o iPhone quanto para o Android. O conteúdo pode ser uma violação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde (OMS), ratificado no Brasil em 2005.
Em um levantamento feito pela reportagem da Gazeta do Povo, digitando-se a palavra “cigarro” em lojas online da Apple e do Android, foram encontrados 13 simuladores de cigarro ao total, que “queimam” ao se assoprar o aparelho. Cocaína e maconha também têm seus aplicativos: foram encontrados seis apps com simuladores de uso de cocaína, além de wallpapers, substitutos de contadores de energia da bateria, textos sobre o uso e tipos de droga, um guia de como “montar” cigarros de maconha e de onde encontrar maconha medicinal e, ainda, um quiz com perguntas e respostas sobre drogas pesadas.
Estímulo
Para os especialistas, os apps de cigarro atingem a todos – crianças e adultos – de modo negativo. “Eles não são acompanhados de informações ou advertências sobre os riscos do tabagismo”, diz a psicóloga Mônica Andreis, vice-diretora da Aliança de Controle do Tabagismo.
Com relação aos mais jovens, ela diz que os aplicativos geralmente aparecem em sessões como jogos ou entretenimento, primeiras a serem procuradas pelas crianças e adolescentes. “Isso induz este público a pensar no fumo como apenas uma diversão”, afirma Mônica.
A psicóloga Arlete Ferrari Santos explica que não há como os filhos discriminarem esses jogos se não forem bem orientados pelos pais. “Eles ainda não têm mecanismos de defesa. O tabaco e o álcool entram de forma lúdica e sedutora na cabeça deles”, diz. Arlete sugere que os pais não tratem o tema de forma radical e proibitiva, pois isso pode aumentar o interesse delas pelo assunto. “A situação deve ser descrita de forma leve, para que elas entendam o aspecto negativo do vício.”