Estudos contra a doença tentam diminuir sintomas e paralisar o avanço da doença. (Imagem: Bigstock)
A cura do Alzheimer ainda não existe, e os pesquisadores também não sabem dizer como ou por que a doença aparece. Isso explica porque estudos têm se concentrado em reduzir os sintomas e tentar paralisar o avanço do mal que, no Brasil, atinge mais de um milhão de pessoas.
Uma dessas pesquisas, divulgada nesta quarta-feira (22) pela farmacêutica Eli Lilly Company, mostrou resultados positivos com o anticorpo monoclonal solanezumabe, que pode ser o primeiro medicamento a agir diretamente na doença — em vez de apenas melhorar sintomas.
A ideia do medicamento é que ele retire do cérebro uma placa formada pela proteína beta-amielóide, que na pessoa com Alzheimer se acumula em diferentes áreas e prejudica o trabalho dos neurônios, levando à morte neuronal.
Porém
De acordo com o médico geriatra do Ambulatório de Demências do Hospital das Clínicas (HC) da UFPR, Mauro Roberto Piovezan, a esperança do novo remédio é que ele consiga regredir a progressão do Alzheimer, estimada em 25% a 30% de regressão. No entanto, Piovezan alerta que os resultados foram positivos apenas em pacientes que acabaram de descobrir a doença.
“As placas vão deteriorando cada vez mais os neurônios, e se o paciente está em uma fase avançada da doença, o remédio não poderá ajudar. É preciso lembrar também que o estudo está em fase experimental. Os pacientes não vão encontrar o medicamento tão cedo nas farmácias”, diz o geriatra do HC, instituição que também participou das pesquisas do solanezumabe.
O médico especialista em geriatria e gerontologia Rubens de Fraga Junior diz que gostaria de ser mais animado com os resultados, mas não vê muitas mudanças até, pelo menos 2025. “Acompanho as pesquisas há 25 anos e não há perspectiva de cura. Os remédios que são lançados se voltam à qualidade de vida do paciente. A solanezumabe é a primeira droga que está agindo na doença realmente, mas o efeito que teve foi muito pequeno”, diz Fraga Junior, que também é do conselho consultivo da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.
Em estudo
Os anticorpos monoclonais, medicamentos à base de células do sistema imunológico, têm avançado nos tratamentos de diversas doenças, como cânceres, diabetes, doenças autoimunes e agora o Alzheimer. Outro medicamento em estudos para combater a doença neurológica é o educanumab, que tenta bloquear a formação da placa de proteínas no cérebro do paciente.
Vacinas também estão sendo estudadas, e elas serviriam como prevenção à doença, mas ainda sem nenhum sucesso. Detecção precoce do Alzheimer através de exame na pele, biomarcadores e do sangue periférico também virou pesquisa, mas ainda sem resultados concretos.