As dores de cabeça (cefaléias) estão entre os problemas de saúde mais freqüentes dos brasileiros e são, em muitos casos subestimadas, com as pessoas considerando normal ter dor de cabeça de vez em quando ou abusando de analgésicos para aliviar os sintomas, sem tratar da doença em si. “Infelizmente, muitos médicos também tratam a dor de cabeça como os leigos, por falta de conhecimento e as pessoas acabam só procurando ajuda especializada quando estão assustadas, porque têm uma dor muito forte ou crônica”, disse o presidente da Sociedade Brasileira de Cefaléia, neurologista Pedro Kowacs, que destaca que, hoje em dia, só convive com a dor de cabeça quem quer.
Hoje, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaléia, 24% das mulheres e 8% dos homens convivem com a dor de cabeça. Cerca de 6% da população tem cefaléia crônica. Segundo o médico, quando uma pessoa perceba dor de cabeça diferente, muito forte ou progressiva, deve procurar um especialista, para evitar o uso indiscriminado de analgésicos, que causam dependência e dificultam o tratamento.
Dr. Kowacs explica que as dores de cabeça mais comuns são as enxaquecas, chamadas, agora, de migramia. “As enxaquecas são condições nas quais o cérebro produz uma dor que não deveria existir. Não deveria existir porque não está havendo nenhuma agressão, nenhuma lesão ao cérebro. Mas algumas vezes essa dor significa um cérebro hiperreativo, um cérebro que não consegue lidar bem com todos os estímulos externos e até mesmo com estímulos internos que ele recebe do corpo e ele gera dor, ele liga um alarme a toa, como se costuma dizer”, explica. “Então nós vamos ter que estabilizar esse cérebro muitas vezes com neuromoduladores ou com outras substâncias que vão agir na prevenção de enxaqueca e temos que aprender a tratar as crises”, prossegue.
Apesar de serem raros os casos em que as enxaquecas são causadas por um fator específico, várias situações podem favorecer o surgimento de crises, como pouco sono, mudança de hábitos, estresse e, até, a alimentação, para pessoas sensíveis. “É importante conhecer bem a característica dessa dor para se prescrever o medicamento adequado, já que há uma infinidade de drogas para dor de cabeça disponível no mercado, com atuações diferentes entre si”, cita.
Quando o tratamento medicamentoso não é suficiente, já há outras formas de se controlar a doença, como a utilização de neuroestimuladores transcutâneo, com implantes na nuca, aplicação intravenosa, ou, até, com internamento para tratamento intensivo. “O médico não deve se contentar com pouco, ele deve procurar sempre o máximo, devendo buscar os limites da medicina quando trata um paciente. E no meu conceito, paciente algum deve sentir dor”, afirma. “É claro que os pacientes com enxaqueca crônica são pacientes com dor crônica, devemos encarar dessa maneira. As vezes nós não conseguimos curá-los, mas conseguimos confortá-los e diminuir o sofrimento deles e ensiná-los a tratar das crises, que são casos extremos”, acrescenta. “Hoje em dia não é necessário ficar sentindo muita dor de cabeça. Para aqueles com dor de cabeça crônica, façam atividades físicas, mantenha horários regulares, sono regular. Vamos viver sem dor de cabeça”, conclui.
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