O médico infectologista Stefan Cunha Ujvari, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, mestre em doenças infecciosas e especialista em doenças infecciosas e parasitárias pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp, acaba de lançar, com o neurologista Tarso Adoni, o livro A História do Século XX pelas Descobertas da Medicina (R$ 47), pela editora Contexto.
Na obra, ele retrata a luta incansável e a perspicácia de cientistas que se dedicaram a desvendar o processo de doenças como a febre amarela, diabete, tuberculose e raquitismo, pensaram em soluções para evitar infecções durante cirurgias, desenvolveram técnicas de transplante de órgãos, a ultrassonografia e boa parte do aparato científico utilizado hoje. Confira a entrevista com Ujvari.
No seu ponto de vista, quais são as maiores revoluções médicas do século 20 e por quê?
A descoberta dos antibióticos foi fundamental para reduzirmos a mortalidade infantil pelas doenças infecciosas, bem como o conhecimento de como eram transmitidas tais doenças.
Quais são os principais legados positivos das guerras do século 20 para a área da saúde?
O ambiente de guerra ajudou a desenvolver tecnologias que fizeram surgir os exames de imagem como ultrassom e a tomografia computadorizada. Auxiliaram, pela fome, pesquisas que esclareceram a causa do raquitismo.
Qual doença ou condição listada em seu livro demorou tempo demais para ser abordado pela ciência e que poderia ter poupado mais vidas?
Acredito que tenha sido longa a busca para incriminar o colesterol como maléfico à saúde. Veja que os primeiros estudos mostravam sua ação deletéria, porém muitas décadas passaram até sua comprovação, enquanto a dieta do século 20 se alterava de maneira prejudicial.
Cite cinco desafios da área de saúde atuais que podem ser comparados aos maiores desafios do século passado e que têm intrigado os cientistas.
A cura do câncer é uma luta contínua. O tratamento das doenças neurológicas da terceira idade como Alzheimer e Parkinson também. Preocupação com as bactérias multirresistentes que emergem a todo o momento e mostram a necessidade de se descobrir novos antibióticos com urgência. As epidemias ocasionadas pelos mosquitos, como a dengue, que apesar de sabermos como preveni-las, não conseguimos eliminar os mosquitos devido ao crescimento populacional e também pela urbanização e alta produção de lixo industrial.
Analisando a gênese das descobertas científicas expostas em seu livro, como você define a personalidade dos cientistas realmente inovadores?
Eram pessoas criativas, persistentes e observadoras.
Houve, com o tempo, uma mudança de perfil do interesse da ciência e dos cientistas em relação à descoberta do mecanismo e da cura das doenças?
Os cientistas passados lidavam com observações e perspicácia para suspeitar de algo. Depois agiam com obsessão pela busca da comprovação, dedicavam um tempo grande sem saber se teriam sucesso na comprovação de sua hipótese, e lançavam mão de criatividade para desenvolver estudos que comprovassem a sua descoberta. Hoje a tecnologia e o avanço da ciência encurtou todo esse trajeto romântico das descobertas médicas do passado.
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