Saúde e Bem-Estar

O segredo das múmias

Mariana Scoz
16/05/2013 03:11
As doenças cardiovasculares estão intimamente ligadas à vida moderna e seus excessos, certo? Pois uma minuciosa investigação em múmias humanas de mais de 3 mil anos mostrou que a aterosclerose, responsável por enfartes, mortes súbitas e acidentes vasculares cerebrais também era comum na antiguidade, quando não havia fast food, tabagismo e sedentarismo – e a dieta era de vegetais, frutas e um pouco de carne, pão e cerveja.
Esta doença, que se caracteriza pelo entupimento de artérias com placas de colesterol, foi encontrada em múmias dos povos egípcios, perua­nos e nativos americanos. O estudo foi divulgado em março deste ano na revista The Lancet e levou cinco anos para ser finalizado.
A pesquisa foi coordenada pelo doutor Gregory Thomas, chefe do serviço de cardiologia do Long Beach Me­morial Hospital e professor da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Resul­tado: das 137 múmias que passaram por um tomógrafo, 34% delas possuíam bloqueios nas artérias do coração ou que levavam ao cérebro e as pernas.
O médico norte-americano esteve no fim de abril em Curitiba para apresentar suas descobertas no Simpósio Satélite da Quanta Diagnóstico e Te­­rapia durante o 40º Congresso Pa­ra­naense de Cardiologia. “Pensá­vamos que se a pessoa não fumasse, se exercitasse, mantivesse sua pressão baixa e tivesse uma dieta com pouco colesterol e gordura, iria viver bastante. Mas descobrimos que algumas situações decorrem apenas do envelhecimento”, explica. “Entre as hipóteses que trabalhamos há a de que seja um fator desconhecido que seja comum às múmias e a população atual o que seja para te natural do envelhecimento”, diz.
Inflamação fatal
A aterosclerose é uma formação de placas de gordura, cálcio e outros elementos na parede das artérias, que obstrui a passagem de oxigênio e nutrientes ao coração, comprometendo suas funções. Pode causar enfarte, morte súbita e acidentes vasculares cerebrais.
Cinco bloqueios em artérias foram descobertas na tomografia da princesa egípcia Ahmose-Meryet-Amon, que viveu entre os anos 1.580 e 1.550 a.C. Dois eram em artérias do coração – o que faria com que ela ela necessitasse hoje de uma ponte de safena.