Aceitar que a idade chegou e enfrentar de mente aberta as limitações que a acompanham são dificuldades que afastam muitos idosos do aparelho auditivo. A imagem de grandes acessórios, desconfortáveis e barulhentos, como os usados pelos avós, não ajuda.
Os novos aparelhos permitem ajustes precisos nas frequências para que o idoso tenha qualidade de som, conforto, amplificação e até mesmo benefícios adicionais, como conexão com bluetooth do celular e com a tevê, sem precisar aumentar o volume. A estética também é uma preocupação, e os aparelhos atuais estão cada vez menores e escondidos atrás da orelha. Há ainda modelos de próteses cujos microcanais ficam dentro do conduto auditivo, aparecendo menos, mas estas opções não se adaptam a todo mundo.
“É importante que a pessoa experimente e perceba a diferença que o aparelho traz, mas se ela não quiser usá-lo, tudo bem. A perda da audição é progressiva e quando a família a percebe, ela costuma estar avançada”, diz a coordenadora do serviço de Saúde Auditiva da Clínica de Fonoaudiologia da Universidade Tuiuti do Paraná, Débora Lüders. A demora em perceber a redução na audição não é exclusiva dos familiares, o próprio idoso passa por isso. Como os primeiros sons que ele deixa de ouvir são os mais agudos, ele pode até escutar alguém falando, mas não entende. Duas ou mais pessoas conversando ao mesmo tempo em um ambiente com ruídos, piora a compreensão.
Adaptação
Uma vez convencido a usar o aparelho, inicia-se a adaptação, que dura seis meses. Mais de um modelo é testado e o médico fonoaudiólogo confere os resultados, identificando qual se ajusta melhor. Algumas pessoas preferem os sons mais agudos, enquanto outras gostam dos mais graves e é preciso mudar até chegar a um som agradável. “O paciente retorna após a primeira semana com o aparelho, depois passados 15 dias, um mês e até os seis meses há retorno. Depois, uma vez ao ano”, explica a professora da UFRGS, Adriane Ribeiro Teixeira.
As principais mudanças que Valdir Francisco sentiu quando passou a usar o aparelho auditivo foram nas conversas em casa e ao assistir à tevê com a família. Adepto do aparelho há mais de 20 anos, Valdir colhe os benefícios do digital. “O aparelho melhora muito a audição, mas capta demais os barulhos. Eu raramente ando com ele na rua porque uma buzina ou freada pode assustar”, relata ele, que tem 62 anos.
Como perceber se o idoso está com a audição comprometida:
• Durante uma conversa, ele pede com frequência para alguém repetir o que foi dito ou se isola, fala pouco ou apenas quando é questionado diretamente
Causas comuns da falta de resposta:
• É comum entre os idosos ter tampão de cera de ouvido. Consulte com frequência otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos para fazer o exame de audiometria
Depois de verificada a necessidade do aparelho:
• Confirme se todos os modelos foram apresentados e incentive que ele os experimente
• Ajude, caso seja necessário, a tirar e pôr o aparelho ou trocar a pilha
• Não o chame de longe somente para ver se escuta. Além dos problemas de atenção comuns aos idosos, os aparelhos têm alcance normalmente de um metro
• Não esqueça que a adaptação normalmente dura até seis meses. Neste período, leve-o com frequência ao médico para calibrar o aparelho
• Se o idoso reclamar que o aparelho não fez efeito, lembre-o que se ele ficou muito tempo sem ouvir, o cérebro demorará até ‘lembrar’ de alguns sons, especialmente os agudos. O ‘esquecimento’ cerebral, no entanto, passará com o tempo
• Mesmo com o aparelho, ao falar com ele, chame a atenção tocando-o ou converse de frente e fale devagar. Mesmo quem não precisa do aparelho usa a leitura labial, sem perceber
Colunistas
Agenda
Animal


