Dormir com o nariz entupido é difícil para qualquer um. E os descongestionantes nasais de uso tópico, aquelas gotinhas de pingar no nariz, são uma mão na roda para quem quer respirar melhor: são de fácil acesso, baratos e dão alívio quase imediato. Mas o uso desmedido pode se tornar um vício e piorar ainda mais a respiração.
O descongestionante nasal é um vasoconstritor. Ele contrai os vasos do nariz, liberando espaço na fossa nasal e desobstruindo a respiração. Seu uso deve ser feito com avaliação e prescrição médica. Mas como sua compra não é restrita, muitos o utilizam sem passar por um otorrinolaringologista.
“Por ser vasoconstritor, o uso prolongado pode ter reações na corrente sanguínea, causando taquicardia e aumento da pressão arterial”, explica Diderot Parreira, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia. Segundo ele, o uso do medicamento deve ser evitado, e sua indicação deveria ser limitada ou até mesmo proibida. ca.
Outro problema é a rinite medicamentosa. Com o uso descontrolado, o nariz sofre alterações fisiológicas, o que causa obstrução nasal crônica. “As células da mucosa ficam mais resistentes e é necessário usar o medicamento ainda mais e com maior frequência”, diz o otorrinolaringologista do Hospital Vitória Paulo Przysiezny. Caso a obstrução persista por mais de cinco dias, deve-se procurar outro tipo de tratamento, segundo Cezar Berger, otorrino do Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia. “O uso por conta própria pode mascarar outros problemas, aliviando apenas um sintoma”, explica.
Nariz trancado Um frasco no bolso, dois outros em casa
Sair de casa sem o descongestionante nasal causa efeitos imediatos em José Carlos Bezerra Filho, 23 anos. O estudante de engenharia civil afirma que, se colocar a mão no bolso e perceber que esqueceu o produto em casa, o seu nariz fica trancado como se fosse mágica. “Ao acordar, a primeira coisa que faço é pingar as gotas. Antes de dormir, a mesma coisa”, conta ele, que guarda mais dois frascos em casa. “Quando estou bem, um tubinho dura uma semana. Quando estou com a rinite atacada, dura apenas três dias”, diz.
José já tentou se livrar da dependência, mas sem sucesso. A primeira foi aos 13 anos, com o acompanhamento de um otorrino. Aos 16, acabou voltando a usar o produto. “Fiz tratamentos com remédios, mas assim que eles eram retirados, voltava a usar o descongestionante”, lembra. O próximo passo será uma cirurgia para corrigir um desvio de septo.