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Animal

Como lidar com um pet caçador

Rodolfo Stancki
14/04/2013 03:10
Há quatro meses, Mia apareceu com duas crias, as gatinhas Tica e Teca, na casa da secretária Beatriz Tozo. A nova dona dava comida para as três. Mesmo assim, o animal começou a caçar para alimentar os filhotes. “Um dia, cheguei em casa e a sala estava cheia de penas de pássaro que as três tinham devorado”, diz a dona.
Beatriz até poderia pensar que seus bichinhos de estimação viraram perigosos assassinos, mas o comportamento predatório em animais domésticos é absolutamente natural. Cachorros estranham a presença de sapos. Algumas espécies de pássaros abocanham insetos na gaiola.
A situação só complica se o animal começa a agredir outros bichos da casa. A rixa entre cães e gatos de um mesmo dono, por exemplo, pode precisar da ajuda de um adestrador. “Caçar é algo instintivo para várias espécies. Mas não é natural quando os animais não conseguem se socializar”, explica Paulo Parreira, professor do curso de Medicina Veterinária da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
O que fazer
O controle do instinto de um pet caçador pode ser difícil, mas existem algumas atitudes que o dono pode tomar para evitar presas mortas pelo quintal ou dentro de casa. Uma delas é investir em um enriquecimento ambiental. “O bicho precisa ter coisas para fazer, assim ele desvia sua atenção”, recomenda Fabiana Monti, veterinária clínica da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP).
Outra dica, segundo Par­­reira, é isolar animais que comecem a apresentar comportamentos predatórios. É o caso de cachorros que caçam galinhas. Embora essas ações ajudem a controlar os pets, os donos precisam entender que essas medidas são paliativas, pois a qualquer momento o instinto pode falar mais alto.
Voltando à gata Mia, é bom lembrar que ela vivia na rua antes de aparecer com os filhotes na casa de Beatriz. A dona concluiu que o lado predador falava mais forte antes de ser domesticada. Os lagartos, insetos e pássaros que aparecem pela casa incomodam, mas ela diz que entende. “São boas histórias para contar depois.”