O certo e o errado na hora de passear com o cachorro
Marina Mori
18/05/2018 12:00
A hora do passeio com o cão deve ser um momento de descontração para o pet e seu tutor, não de estresse. Mas nem sempre é tão fácil. Ensinar o cão a andar calmamente e fazer com que as interações com outros animais seja pacífica pode ser um desafio.
Por conta disso, não é só pegar a guia e chacoalhá-la em frente ao cão gritando “vamos passear!” com voz entusiasmada. Aliás, este hábito é o primeiro a ser abolido do ritual do passeio. Sim, ritual. Segundo Rafael Wisneski, adestrador da empresa Meu Cão Companheiro, a saída com o pet deve ser ritualizada. “Os cachorros não podem criar expectativa, porque esse tipo de comportamento não favorece sua concentração“, explica.
Ele sugere uma mudança simples na rotina, mas que pode fazer com que o passeio seja muito mais tranquilo. “A dica é pegar a guia sem falar nada, colocar no cachorro e fazer qualquer outra atividade dentro de casa antes de sair, para distraí-lo”, diz o adestrador. A cada dia, pode ser algo diferente, como calçar os tênis ou escovar os dentes.
O objetivo disso é evitar que o pet fique pulando e latindo toda vez que vir a guia. “Ele tem que sair calmamente ao lado do tutor”, explica Wisneski.
Foto: Jackson Jost / Unsplash
Caminhando lado a lado
Você já deve ter visto ou feito parte da seguinte cena: em vez de caminhar lado a lado, cão e tutor parecem brincar de cabo de guerra, com o animal à frente – desesperado para farejar tudo e todos – e o humano atrás, se equilibrando para tentar se aproximar do pet.
Para o adestrador, este é outro dos erros mais comuns do passeio. Por sorte, há como consertá-lo facilmente. “Ele precisa aprender a andar ao lado do tutor dentro de casa, em um ambiente controlado e sem estímulos”, explica.
A dica é escolher uma palavra de comando para que o pet se aproxime do tutor e ande ao seu lado (de preferência, sempre o mesmo) espontaneamente. “Quando este comando estiver funcionando, é hora de introduzir a guia. Assim, você alia um aprendizado prévio com o condicionamento constante”, garante o adestrador.
Comece treinando o pet para que ele ande ao seu lado dentro de casa, sem guia. Foto: Evieanna Santiago / Unsplash
Enforcador? Jamais
“É um equipamento que só gera angústia e problemas de saúde”, opina Wisneski. Segundo o adestrador, o enforcador deve ser substituído por um peitoral, coleira fixa ou até mesmo um peitoral anti-puxão, em que a guia é “clipada” em frente o peito do cão.
“Este posicionamento faz com que o animal permaneça mais ao lado do tutor”, explica.
Interação com outros animais
O encontro com outros cães durante o passeio é natural e, a interação entre eles, saudável. Mas o que fazer quando o pet tem reações agressivas sempre que vê outro cachorro por perto?
Neste caso, é necessário uma reeducação comportamental, segundo o adestrador. “Este é um problema que requer o auxílio de um especialista, pois requer treino”.
Uma alternativa paliativa, segundo a veterinária e fundadora da PetAnjo, Carolina Rocha, é escolher rotas tranquilas e horários menos movimentados. “Tente procurar um caminho mais arborizado e sem muito tumulto”, sugere.