Se o seu amigo já morou no lugar para onde você vai, as dicas dele valem ouro. E ouro cravejado de diamantes se ele gostar de escrever.
Se o seu amigo já morou no lugar para onde você vai, as dicas dele valem ouro. E ouro cravejado de diamantes se ele gostar de escrever.
Seguir um roteirinho é como andar de braços dados com o amigo. Essa minha velha sensação se repetiu ao bater pernas por Lisboa, no mês passado. Meu colega Jorge Olavo morou em Coimbra recentemente e fez um resumo no capricho sobre lugares, transporte, comidas e o que poderia ser mais divertido durante três dias na capital portuguesa.
Imprimi o e-mail e fui marcando minhas aventuras Lisboa afora. O papel ficou cheio de “oks” e eu ria sozinha, rua acima e rua abaixo, como se estivesse ouvindo a voz do Jorge ao recomendar um passeio por Belém e dali até o Parque das Nações, depois de um banho de passado. “O jeito mais fácil de chegar lá é de metrô. Vá de busão até o centro (a parte baixa) e pegue o metro na primeira estação que achar”, ensinou.
Confesso que fiquei desconfiada desse negócio de “primeira estação que achar”. Mas não é que deu certo? Lisboa tem quatro linhas de metro (sílaba tônica no “me”), com alguns pontos de transbordo. Não tem erro. Nesse dia, escrevi nove vezes meu “ok” no roteiro lisboeta. E ganhei confiança para desistir de algumas recomendações do Jorge, por causa do calor e de uma certa preguiça para ir às vizinhas Sintra e Cascais.
Admito que a dica de outra amiga também pesou. “Sintra fica a uns 40 minutos de trem de Lisboa. Nós passamos o dia lá e não precisa mais que isso. Você vai precisar depois de pés e panturrilhas novas porque a gente só sobe….”, escreveu Marialda, enterrando o programa de vez. A mesma Marialda, por sinal, já havia me acompanhado virtualmente por Santiago do Chile, onde ela morou. E até hoje não me perdôo por ter perdido o roteiro que tanto me serviu.
No terceiro dia por Lisboa já era eu própria uma guia experiente. Sentada diante de um prato de bacalhau de 8 euros (menos de R$ 20), ao pé do elevador Santa Justa, ouvi um grupo de brasileiros que se debatia para entender, num desses guias bem famosos, como faria para ir à Torre de Belém e ao Mosteiro dos Jerônimos.
Intrometida na conversa das senhorinhas nordestinas, informei: “É só pegar o electrico nº 15, na Praça da Figueira”. Acho até que pronunciei o c de electrico. E melhorei a dica do Jorge: “Comprem na lotérica da esquina da praça o cartão combinado Metro/Carris a 3,70 euros, para 24 horas. Se você pega 4 metros ou autocarros com um cartão desses, já é lucro”.
Vencidas as principais atrações históricas e arquitetônicas, resolvi frequentar lugares refrigerados, por inspiração da Marleth, outra amiga-guia dessa viagem. Ela foi franca, já de saída, ao dizer que os shoppings não são melhores que os nossos. Mas são bons e fáceis de chegar. E me deixou curiosíssima com a descrição sobre “El Corte Inglés”, rede espanhola de lojas de departamento, com uma grande unidade em Lisboa. “É bem bacana, com dois andares de roupas femininas e tudo o mais.” Pronto, foi o suficiente para me levar rapidamente à estação do metro São Sebastião, que deixa o passageiro dentro da loja.
Sugestões também são úteis para roteiros domésticos e funcionam mesmo que você nem conheça a pessoa. Uma gaúcha, mulher do amigo de um amigo, me mandou um e-mail com “as melhores dicas para curtires Gramado e Canela”. E, supergentil, anexou fotos dos restaurantes preferidos dela, para “começarem a comer com os olhos”. Meu fim de semana gramadense foi perfeito!
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