Histórico

Sob o céu de Curitiba

Larissa Jedyn - larissa@gazetadopovo.com.br
29/08/2010 03:00
Uma câmera na mão, uma cidade como cenário e quatro visões completamente diferentes. O Viver Bem convidou quatro moradores da cidade a revelarem a sua Curitiba. Valiam flagrantes de manhãs gélidas, vinas no cachorro quente, ipês floridos. Ou a paisagem vista por anos a fio da janela. De casa ou do ônibus. A calçada de pinhões ou a criança que corre sobre ela. Só estavam fora do roteiro os cartões-postais. Nas próximas páginas, uma Curitiba autoral, particular e desconhecida para muita gente.
Lugar reinventado
Luz e sombra
e será mostrada em um livro, uma exposição e uma série de cartões-postais, até o final deste ano. “A cidade é viva e muda constantemente. Cada vez que retorno a um lugar, a transformação faz novos apelos. Curitiba é alegre mesmo nos dias úmidos e gelados, como nos dias azuis. É sisuda, séria e arisca na madrugada. Vou em busca de ângulos compondo com as luzes e sombras formas da cidade apaixonada pela sua descoberta. O urbanismo e o homem vivem a grande aventura da existência moldados no tempo”, diz ela, que faz a sua peregrinação lenta pelas ruas, calçadas, praças e bares da cidade em busca de revelações, mistérios e desencontros. (fotos 4 a 6)
Cidade esquecida
trabalhou no seu ensaio o caos do dia a dia, flagrou a cidade esquecida nos bairros mais afastados, de pouco asfalto e muita poeira. Recuperou a memória, as pipas, o sorvete vendido no grito e a prosa no bar acompanhada de uma cervejinha. Para mostrar esse avesso da Curitiba tradicional, Priscila teve a ajuda de um amigo e de um espelho redondo, que a seguiram pelas paragens do Capão Raso, CIC e terminal do Guadalupe, no centro velho da cidade. “Nada melhor do que o espelho para representar essa ideia do contrário, do invertido, ou seja, do outro lado. É o outro lado sendo desvendado por meio da imagem refletida”, diz ela, que está dirigindo o documentário A Gente Não Quer Só Comida, que tem como objetivo de reforçar a importância da arte na formação das pessoas e conta com o apoio do Ministério da Cultura. Ele será lançado no Rio de Janeiro durante o Festival de Cinema Visões Periféricas, junto com outros 19 projetos nacionais. (fotos 7 a 11)
Um passante
aprendeu a olhar para a cidade mais com o coração de quem vive por aqui, do que com a razão dos discursos e dos cartões-postais. Fugir dos roteiros mais óbvios, olhar para tudo com a curiosidade de quem nunca pisou na cidade, andar alguns quarteirões a mais do que você está acostumado pode revelar nuances desconhecidas da Curitiba de todos os dias. “Aos grupos que atendo, tento mostrar a alma de quem vive aqui, os lugares que os moradores costumam ir, as curiosidades sobre a gastronomia, a parte histórica e sobre como se deu a evolução. Eu gosto de andar a pé, percorrer as ruas que fizeram parte da minha infância, os bairros, o Mercado Municipal… Eu acho que são essas coisas que tornam Curitiba diferente dos outros grandes centros urbanos do Brasil”, diz ele que aproveitou para fotografar tudo com sua velha câmera de filme. (fotos 12 a 15)