Expostos em manequins sem cabeça e dentro de caixas de vidro, os vestidos usados pela primeira-dama aparentam os mais de 50 anos que têm. Nas paredes ao lado deles, ampliações gigantes de fotos mostram Evita usando os modelos que viraram peças de museu.
O guia explica que a relação dos argentinos com ela é complexa. Existem pessoas que vão ao museu todos os dias e, quando não podem aparecer, ligam avisando. Para essas pessoas, Eva Perón é uma figura sagrada e visitar o museu é como ir à igreja.
Projetores e televisores dão conta de momentos históricos ao som de Gotan Project (grupo francês que uniu o tango à música eletrônica). Entre outras coisas, se fica sabendo que militares violaram o cadáver de Evita – informação abafada à época para evitar uma revolta popular – e que ela teve de ser enterrada a oito metros da superfície, no cemitério da Recoleta, para evitar que vândalos entrassem em ação.
Medida
O túmulo da Evita é, de longe, o mais visitado no Cemitério da Recoleta. Ele leva o nome do (e está localizado no) bairro mais chique de Buenos Aires. A alta sociedade portenha está enterrada ali e as construções competem por atenção como se a importância dos mortos fosse medida pela quantidade de mármore que se emprega no mausoléu.
Na frente do cemitério, a Praça da França é uma atração à parte, muito pelas árvores que fazem parte dela. São ombúes com mais de 200 anos de idade. Debaixo de suas sombras gigantes acontece, nos fins de semana, uma feira livre com artesanato, comida e várias quinquilharias. Dá para comprar cuias, gorros, lustres, pulseiras, anéis de lata e porta-chaves. Nada é muito barato porque a feira é tomada por turistas e os locais freqüentados por turistas não costumam ser a opção mais em conta.
Cansado de caminhar entre os mortos (e também entre os vivos, por que não?), dá para fazer uma pausa no café La Biela, do outro lado da rua.
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