A Gazeta do Povo conferiu o Tango Porteño, inaugurado em março passado no teatro em que funcionava um cinema da Metro-Goldwyn-Meyer, quase em frente ao Obelisco, na Avenida Nove de Julho. A casa funciona nos moldes da boate parisiense Lido. A platéia se organiza em mesas e assiste ao show enquanto come bife de chorizo e bebe vinho malbec. É um programa três-em-um: de uma tacada, se conhece a carne, o vinho e o tango.
No palco, 32 artistas – inclusive uma orquestra de 11 músicos – apresentam números acrobáticos em que as mulheres dão dezenas de piruetas e são jogadas para cima e para baixo (às vezes, parece até lambada). Uma das partes mais comentadas é a de uma dançarina que contracena com um manequim e faz parecer que ele a conduz.
O ladrão de cena do Tango Porteño foi o casal na faixa dos 60 anos que, no lugar de passos atléticos e mirabolantes, dançaram com sentimento. O desempenho deles pode ser descrito como “tango clássico” – seja lá o que isso signifique – e arrancou uivos do público (e não somente daqueles na faixa dos 60 anos).
O carisma do casal sexagenário faz pensar que o tango sem firulas, não-turístico, sentimental e clássico é o único tango “verdadeiro”. Para completar, ele poderia vir na voz de Carlos Gardel (1890-1935).
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O filho de imigrantes franceses nascido no Uruguai (há controvérsias) e morto na Colômbia em um acidente de avião gostava de reforçar o mistério em torno de sua terra natal e dizia que havia nascido em Buenos Aires aos dois anos e meio de idade.
Os portenhos retribuíram o afeto de Carlos Gardel transformando a casa onde cresceu e passou parte de sua vida em um museu. Em meio às fotografias e aos objetos de época, os maiores atrativos do Museo Casa Carlos Gardel são os guias. Com um conhecimento profundo da vida e da obra do cantor, eles conduzem os visitantes pelos cômodos da casa, narrando episódios marcantes da existência de Charles Romuald Gardès, filho da dona Berta, um jovem de 1,65 metro de altura que chegou a pesar 120 quilos antes de emagrecer, virar um fumante alucinado (não que uma coisa tenha a ver com a outra) e fazer mulheres suspirarem ao som de “El Día Que Me Quieras” e “Mi Buenos Aires Querido”.
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