Oito tombos e um hematoma na perna. Essa é a contabilidade da minha tentativa de esquiar em Portillo. Mesmo com a assistência de um professor, não teve jeito: cheguei até a derrubar duas pessoas. “Você anotou a placa do veículo que te atropelou?”, brincou o instrutor. “Não, só sei que é de Curitiba”, devolveu uma das minhas vítimas, por sinal um dos 96 brasileiros que, durante a minha estada, ficaram no hotel.
Mas ninguém pode dizer que eu não tentei, mesmo sob os olhares constrangedores dos demais alunos. Até as crianças de 4 anos demonstraram mais habilidade do que eu e faziam questão de deixar isso claro, não escondendo um ar de riso. Pudera, nem eu podia deixar de achar graça. E, se não esquiei, dei muita risada.
Na minha “turma”, de oito alunos, só eu não consegui “pegar a manha” do esqui. Tudo por conta de um pequenino detalhe: não aprendi a frear, o que é a coisa mais importante a se fazer quando se quer esquiar. “La cunha, la cunha”, repetia o professor. Que la cunha, que nada. Embora tudo parecesse simples – bastava ir juntando os esquis, com os pés inclinados –, para mim a manobra era complicada. E não adiantava tentar ficar quieta no meu canto. Ficava parada e, quando percebia, lá estava eu deslizando no gelo e alertando quem estava na frente: “Cuidado, cuidado, que eu não consigo parar!”. O medo de não parar e cair no lago (o que obviamente não aconteceria até pela inclinação do terreno), bem como o de machucar alguém, foi tamanho que preferi nem fazer as outras aulas. Só coloquei o equipamento de esqui novamente – tarefa que já permite a queima de várias calorias – para sacar una película. Fiz pose e até dava para enganar que estava esquiando. Para minha infelicidade, porém, tive um problema com a máquina fotográfica e perdi todos os registros desses momentos históricos da minha vida. Fazer o quê? Se quiser aparecer bem na foto, vou ter de tentar esquiar outra vez, mas desta vez deixando o medo de lado e caprichando mais em la cunha.
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