Turismo

Eu já conheci tudo

Rosy de Sá Cardoso
12/07/2007 23:43
Conta-se na minha família que comecei a gostar de viajar quando, nascida em Curitiba, aos três anos de idade, fui de trem morar em Paranaguá. De lá, num navio, eu com sete para oito anos, fui com minha família ao Rio de Janeiro, onde estive diante de uma das recém-eleitas sete novas maravilhas do mundo. Desde então, viajando pelo planeta, fui conhecendo as outras seis – e muitas outras. Agora, leitor, vou levá-lo comigo em uma viagem por este mundo maravilhoso.
Comecemos pelo Rio de Janeiro. A Cidade Maravilhosa acaba de ter o Cristo Redentor reconhecido como mais uma de suas maravilhas. Hoje, sinto a necessidade de voltar a visitá-lo, pois agora ele oferece, além do tradicional bondinho que sai do bairro de Laranjeiras, escadas rolantes e elevadores. Que mudança. O que não mudou foi que ele continua abençoando a cidade que o tem como símbolo maior, do alto do Corcovado.


Uma viajante inveterada
Subindo um pouco pela América do Sul, chegamos a um local misterioso: Machu Picchu, no Peru. Diversas são as versões para a existência da cidadela inca, mas seja qual for a correta, o importante mesmo é aproveitar cada momento por lá, admirando seus assombrosos palácios, fortalezas, praças e aquedutos. Ah, esteja com as pernas preparadas para um exercício pesado, já que o terreno é bastante acidentado – cansa, mas vale muito a pena.
Próxima parada do nosso tour pelas maravilhas do mundo: México, Caribe, península de Yucatán. Em um pedaço do território Mayab, berço da grande civilização Maia, repousa a mais famosa cidade desse antigo povo, Chichen Itzá. Por lá, o destaque é a pirâmide, também conhecida como Templo de Kukulkan, em que cada detalhe tem uma relação com o calendário: os degraus, 91 em cada face, somam 364, e o pequeno templo no alto da pirâmide é o degrau que completa os 365 dias do ano. Prepare sua câmera para tirar uma foto junto do mais famoso chac-mool (estátua em granito), que fica lá no alto.
Saindo do continente americano, atravessamos o Oceano Atlântico, rumo à Itália. É na capital, Roma, que fica o Coliseu, anfiteatro construído entre os anos 72 e 80 – na época, com capacidade para 50 mil espectadores, era o maior do mundo. Era também o lugar preferido dos romanos para seus momentos de lazer. Por certo, nada mais “divertido” do que a morte de gladiadores, que lutavam uns com os outros, ou contra leões famintos – cenas que Hollywood e Cinecittá mostraram muitas e muitas vezes.
É hora de orientalizar um pouco nossa viagem. Vamos para a Jordânia, no Oriente Médio. O clima esquentou e o suor escorre por nossos rostos, enquanto caminhamos por um desfiladeiro. De repente, avistamos algo que parece miragem: uma maravilha bem no meio do deserto. Esqueça odaliscas, beduínos, Ali Babá ou Sherazade. Estamos em Petra, também chamada de Cidade Rosada ou Cidade Proibida, antiga capital do reino dos nabateus, que permaneceu perdida durante mil anos. O acesso é feito por um desfiladeiro, que leva à primeira e mais famosa das fachadas de Petra, um imenso templo talhado na rocha. Parece cenário de cinema – e já foi: a cena final do filme Indiana Jones e a Última Cruzada foi rodada lá.
Grandes amores inspiraram lendas, tragédias, óperas, romances e uma maravilha do mundo: o Taj Mahal, na cidade indiana de Agra. Trata-se do mausoléu da imperatriz Arjumand Bano Begum, esposa do imperador Mughal Shan Hahan. Abalado com a morte da mulher, Shan Hahan convocou 20 mil trabalhadores para erguer a última morada de sua amada – a obra durou 12 anos. O Taj Mahal é lindo, indescritível e emocionante, e quase 30 anos depois da primeira visita, ainda emociona o coração viageiro desta repórter.
Enfim, cruzamos o mundo atrás das sete novas maravilhas e viemos parar na China. No país que hoje assombra o planeta, a velha Grande Muralha orgulha muito mais os chineses do que as novas bugigangas com que invadem os mercados ao redor do globo. Construída na Dinastia Ming para proteger a nação de invasões dos bárbaros, com quase 7 mil quilômetros de extensão, é a única obra construída pelo homem visível do espaço. É o que dizem. Como no espaço eu não estive (ainda), não posso confirmar. Mas que ela é maravilhosa, ah, isso é. Fiquei boquiaberta quando a vi pela primeira vez, em 1982; no ano passado, voltei a vê-la, e voltei a ficar boquiaberta. Em uma palavra? Maravilha.