Houve um tempo em que retirar as amígdalas das crianças era quase uma sessão de tortura: o médico, com ajuda de enfermeiros, sentava o paciente numa cadeira de madeira, onde ele era amarrado e sedado com a maquininha de inalação de éter, antes de ser submetido ao procedimento. Até a década de 50, o uso da tal cadeirinha era comum, mas hoje, felizmente, ela virou peça de colecionador. Um raro exemplar, doado por um hospital infantil de Recife, é uma das curiosidades expostas no Museu da Pediatria, no Cosme Velho, no Rio de Janeiro, que reúne outras centenas de equipamentos, móveis, documentos, fotos e livros que ajudam a contar a história da especialidade no Brasil. Junto com o Museu da Justiça, o da Polícia Militar, da Cadeira e o do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o pequeno memorial, criado em 2004, integra uma lista de casas com acervo curioso ou desconhecido, ainda pouco visitadas.
Os interessados em seguir o roteiro de “museus que pouca gente conhece” encontram farto material nas ruas do Rio. No Centro, o passeio pode começar pelo Museu da Justiça. O prédio de estilo neoclássico — construído em 1926 para abrigar o Poder Judiciário — já vale uma visita. Pelos corredores e salas do antigo Palácio da Justiça, há esculturas, vitrais e pinturas, como as duas que representam A Justiça Civil e A Justiça Criminal, pintadas por Carlos Oswald. Entre as salas abertas ao público, a do Tribunal do Júri é uma das que mais impressionam. Usada até 2009, ali foram realizados julgamentos de casos que causaram comoção, como os assassinatos de Cláudia Lessin Rodrigues e da atriz Daniela Perez. Visitas devem ser marcadas. A média de público é de 200 pessoas por mês. A entrada é grátis.
Fundado em 1848, o Museu do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro tem coleções de objetos, documentos, obras de arte, louças, condecorações, além de móveis de personalidades da história do Brasil. No salão nobre, estão o painel Coroação de Pedro II, obra inacabada de Manuel de Araújo Porto Alegre, de 1842, e a cadeira de jacarandá com palhinha do século 19, usada pelo Imperador no instituto. No salão do museu, estão pinturas do século 17 retratos de dom Pedro II, além de mobiliário e louça da família imperial. Destaque para uma preciosa coleção de broches de campanhas políticas desde de 1890 até as eleições mais recentes. “Temos um carrinho de mão que o Barão de Mauá mandou fazer para Dom Pedro inaugurar as obras da Estrada de Ferro de Petrópolis”, conta a museóloga Magda Vilela, responsável pelo museu.
O percurso pelo Centro não pode excluir uma parada na antiga residência dos comandantes do Batalhão de Choque, hoje Museu da Polícia Militar, com um acervo de cerca de 6 mil objetos e documentos que traçam a evolução da corporação desde sua criação, em 1809. No primeiro andar, há uma rara coleção com cinco armaduras trazidas de Portugal por dom João VI. Na sala das comunicações, encontra-se uma réplica do protótipo do serviço 190, uma caixa de socorro, de 1907. Há ainda minifardas e miniaturas de viaturas. O museu recebe 2 mil pessoas por mês e é preciso marcar visita.
Serviço:
• Museu da Justiça. Rua Dom Manuel 28. Centro, Rio de Janeiro. Agendamentos pelo fone (21) 3133-3532. • Museu do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Visitas gratuitas e agendadas pelo fone (21) 2252-4430. • Museu da Polícia Militar. Rua Marquês do Pombal, 128. Agendamentos pelo fone (21) 2332-6668.