Entre o Rio e a capital sergipana são pouco mais de duas horas de voo. Quando se desce do avião é comum aquela sensação de estufa. O calor úmido, mesmo no inverno, é amenizado com as pancadas de chuva que se prolongam até o mês de agosto. Nos outros meses, o astro rei brilha impávido para saciar a vontade de sol do turista, que está em busca de um lugar nos 30 quilômetros de praias 100% próprias para banho. O Sergipe é isso: clima tropical.
No itinerário do aeroporto para a praia de Atalaia (a mais badalada, com uma extensão de 4,5 quilômetros) se percebe que a rede hoteleira de Aracaju é estruturada e está em contínua expansão. A cidade é calma, o trânsito flui lento, mas civilizado. A capital sergipana é considerada a mais segura do Nordeste do país. As obras de revitalização não param, assim como os números da movimentação turística, que cresceram 19% em 2009 – apenas nos registros das operadoras de turismo. Na orla, reurbanizada com ajuda financeira do Ministério do Turismo – entre 2003 a 2009 foram um total de R$ 76 milhões de investimentos –, estão instalados parque infantil, oceanário do Projeto Tamar, lagos artificiais com pedalinhos, kartódromo, pista de motocross, pista de skate, espaço para escalada, praça de eventos. Quase tudo de uso gratuito e ideal para famílias que precisam encontrar formas criativas para entreter as crianças. O Sergipe também é isso: infraestrutura para o turismo.
Destino menos “badalado” do Nordeste, em comparação com Alagoas e Bahia, por exemplo, o Sergipe surpreende positivamente em uma primeira visita. O estado é serpenteado de belezas naturais – em poucos quilômetros é possível vislumbrar o cenário do litoral e do sertão – e tem um povo alegre, festeiro e que fica até tarde na rua. Nos meses dos festejos de São João, que por lá começam no final de maio e se estendem até julho, as cidades ficam lotadas.
No centro, cujos prédios seculares passaram por uma revitalização, é possível fazer uma breve viagem numa época em que “cabras machos” forjam uma história de intrigas e sangue. No início de século passado, Olímpio Campos, ex-padre e um dos políticos mais influentes da época, era governador do estado. Seu oponente, Fausto Cardoso, fez um levante popular e tentou invadir o palácio de governo. Foi assassinado pela guarda. A ironia é que hoje o Museu Olimpio Campos fica na Praça Fausto Cardoso, um lugar aprazível com coretos, árvores centenárias e a bela catedral, que data 1862. Atravessando-se a rua, é possível fazer boas compras no centro de artesanato, onde a grande estrela é a renda irlandesa, cujo valor cultural foi tombado pelo IPHAN em 2008. Além das belas praias – a areia não é muito clara, mas é bem fina –, do calendário de festas e das possibilidades de compras de artesanatos variados, Aracaju é ponto de partida de passeios rápidos, que reúnem belezas naturais, boa gastronomia e até um toque de aventura.
*A jornalista viajou a convite do Ministério do Turismo e da Braztoa – Associação Brasileira de Operadoras de Turismo.
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