Turismo

Turbulência do dólar se reflete em viagens internacionais

Ana Carolina Nery
16/10/2008 03:03
Aqueles que se garantiram, aproveitando a baixa do dólar, estão em melhor situação. “Mas para solicitações novas está tudo parado”, conta Marilene Wosnick, proprietária da Wosnick Viagens e Turismo. “É a insegurança por não saber o que vai acontecer”, diz. A MG Travel Operadora também sentiu o baque nos últimos dias, com queda de 70% na procura por pacotes internacionais. “Num primeiro momento é natural haver uma retração, mas cada caso é um caso”, avalia Idalina Gonçalves, proprietária da MG Travel. Segundo ela, há muitas vendas concretizadas e situações nas quais o viajante não abre mão do passeio. “O que não pode é ser criada uma expectativa que ajude a piorar a situação”.
Na primeira quinzena de outubro, a operadora de turismo Magic Way registrou cancelamentos de reservas para viagens ao exterior. Foram 19 desistências de grupos que embarcariam em dezembro e janeiro de 2009, cerca de 4% do total das vendas para o mesmo período. “A insegurança do dólar nos causa preocupação e confunde a cabeça do cliente”, avalia Gil Miranda, diretor-geral da Magic Way.
A operadora, que oferece programas para inúmeros destinos internacionais, é especializada em vendas de pacotes para a Disney. Hoje, para adquirir um pacote com duração de 13 dias, os turistas precisam desembolsar cerca de R$ 2 mil a mais sobre o valor que pagariam se tivessem comprado a viagem com um mês de antecedência.
Compare: os turistas com embarque para a Disney marcado para janeiro de 2009 pagaram R$ 5.850 em compras concluídas até o dia 11 de setembro desse ano. Até o fechamento dessa edição, quem procurasse pelo mesmo pacote da operadora se depararia com uma cotação de R$ 7.670. Um salto de 31% no valor final. “Acho que antes do término das eleições americanas o quadro não mudará muito”, afirma Miranda.
A saída para quem faz questão de viajar neste fim de ano, na opinião do economista Luiz Ramos da Silva, especialista em câmbio, é curtir os destinos que o Brasil oferece.
Mas se o turista não conseguir fugir dos gastos em dólar, deve estar ciente de que a viagem nesse momento ficará cerca de 50% mais cara. A primeira dica do economista é não entrar em desespero. “Não podemos fazer nada precipitado. O diagnóstico é impreciso”, diz. Segundo Silva, há expectativa de que o dólar chegue a R$ 1,90 até dezembro, “mas nada garante que vai abaixar, pois a cada dia se acentua o problema nas bolsas lá fora”.
Confira mais dicas
Prefira os cheques de viagem ou dólar em espécie. O papel moeda deve ser trocado aos poucos, conforme as necessidades durante a viagem.
Opção segura é o travel money: cartão magnético, com senha, comprado ainda no Brasil. O viajante escolhe o valor que pretende levar e faz saques em moeda local em caixas eletrônicos, com valor conforme a taxa do dia. A desvantagem é a cobrança de US$ 2,50 por saque.
Reserve os cartões de crédito internacionais para situações de emergência: além da cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o valor da fatura está sujeito ao câmbio do dia do seu fechamento.