Comportamento
Desejar o parceiro, ficar impaciente para tê-lo em seus braços, deleitar-se com sua presença, seu sorriso e seus carinhos… Nada disso significa que uma pessoa esteja ligada à outra, porque o prazer de amar está em sentir e saborear tudo isso sabendo que o outro corresponde a tudo e encontra-se na mesma sintonia.
Mas se o carinho do seu parceiro é indispensável para que você sinta-se bem, se você não fica em paz até vê-lo e se pensar nele consome você, então bem-vindo ao “clube dos dependentes afetivos”.
O ideal numa relação não é reprimir os anseios naturais derivados do amor, mas fortalecer a capacidade de desgarrar-se e entregar-se a este sentimento maravilhoso quando tiver que fazê-lo. O desejo movimenta as relações, mas a dependência, paralisa-as.
Muitas pessoas vivem presas a relações insatisfatórias, doentias ou prejudiciais devido a uma distorção do pensamento que as impede de enxergar sua relação como ela realmente é.
Geralmente, essas pessoas criam mentiras para si mesmas que as levam a viver uma dependência afetiva e a continuar com um parceiro que não o ideal. Exemplo disso é quando a pessoa vive se repetindo frases como: “Ele me ama, mas ainda não se deu conta”, “Seus problemas o impedem de me amar”, “Essa é a maneira de ele me amar”, “Há casais em situação pior”, “Não é tão ruim”, “Meu amor e compreensão farão ele mudar”, “Ainda transamos”…
Se o indivíduo deixa de lado essas mentiras que o anestesiam, seus esquemas irracionais de dependência começam a cambalear e tem início sua libertação afetiva. Falta de apego não é falta de amor.
De modo geral, costuma-se associar desapego à indiferença, a um coração de pedra ou à falta de sensibilidade ou de interesse pela outra pessoa, quando, na verdade, isso não tem nada a ver com falta de compromisso, promiscuidade ou desonestidade com o outro.
Amar dessa forma demonstra uma maneira mais livre, madura e saudável de relacionar-se, maneira essa que parte da não dependência, da não possessividade. Uma coisa é defender e desfrutar do laço afetivo, outra muito diferente é enforcar-se nele.
Uma pessoa independente é capaz de controlar o medo de ser abandonada, da rejeição ou da perda. Também não acha que deve destruir sua própria identidade nem sofrer por amor.
Escolher ser afetivamente livre supõe dar carinho sem oprimir, distanciar-se do nocivo, encontrar-se na ternura. Equivale a afirmar que “o amor é a falta de medo”.
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