Comportamento
Apesar de não ter o rent a friend, a capital das araucárias não está fora dessa tendência. Os amigos profissionais estão lá, na web, à espera de um “cliente”. Antônio Aparecido Bittencourt do Amaral, economista, o “amigoamaral”, tem 58 anos e é aposentado. Escolheu ser amigo profissional pelo excesso de tempo livre. “Além do mais, qualquer dinheiro é sempre bem-vindo”, conta.
Ele contemplou a possibilidade após assistir na tevê a entrevista de um homem que se definia como amigo profissional. Com 30 anos de experiência em recursos humanos, Amaral criou um site com direito a perfil, missão e valores. Entre os contratantes, mulheres e casais de idosos. “Eu dirigia para eles em viagens, conversava, até ajudar a colocar cortina eu ajudei”, relembra.
E para quem ficou curioso, sim, ele recebeu algumas propostas para ir além da amizade, mas, como bom profissional, declinou educadamente. “Era tudo estritamente profissional”, diz. Para quem quer ingressar na função, ele dá uma dica: “É um trabalho. Se você se envolve emocionalmente com uma contratante, isso acaba vazando. E aí sua carreira acaba. Uma senhora poderia deixar de me contratar por isso”.
Ele conta que na maioria das vezes as clientes querem é conversar. Segundo Amaral, grande parte das mulheres que o procurava queria ser ouvida ou buscava um palpite de amigo. “Teve uma professora universitária que estava passando por um conflito profissional e me perguntou: ‘Você vai me dizer o que todos dizem ou vai dizer a verdade?’ E eu disse a verdade”, conta.
Rentabilidade
O papel de ombro amigo é até rentável. Amaral exerceu a “profissão” por oito meses, mas parou em junho deste ano porque não conseguiu conciliar as amizades com uma nova ocupação que surgiu. Enquanto estava na ativa, cobrava um mínimo de R$ 100 por duas horas de sua companhia, mais as despesas que a dupla tivesse durante o programa. Um dia na praia com direito a personal friend como motorista saia por R$ 300. Os encontros – que com o público feminino costumavam ser jantares ou saídas para dançar – chegavam a dois ou três por semana.
Aos que se sentem habilitados a ser amigo de aluguel, Amaral diz que não existe fórmula de sucesso, mas é preciso ter um perfil cordial. “É bom estudar o tipo de negócio. Para ser personal friend tem de ter experiência em lidar com as pessoas, o que é básico, porque paciência e saber ouvir são características essenciais.”
Cuidados
O psicólogo Guilherme Falcão pondera que este tipo de amizade pode não ser bom negócio: “De um modo geral, pagar por uma amizade mais atrapalha do que facilita, porque a amizade parte do princípio de um vínculo. A partir do momento que eu posso pagar por isso, posso descartar também a qualquer momento esse amigo. E o bom da amizade é o vínculo”, explica. Ele recomenda a todos que queiram fazer um amigo dar uma volta no parque ou sair para comprar algo, formas mais casuais de travar amizades.
Especializado em terceira idade, o psicólogo acredita que, para os idosos, o personal friend é uma extensão da ideia das antigas damas de companhia, que vão junto a passeios, compras, conversam e até dormem no trabalho se necessário. Nesses casos, o psicólogo apoia a relação: “É saudável porque aí existem afinidades, são pessoas mais ou menos da mesma geração e que têm algo em comum”.
Serviço:
André Barros personal friend, site www.andrebarrospersonalfriend.com.br / Dudy Mariah Empregos Domésticos, fone (41) 3333-8383.
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Interatividade
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