A quantidade de cartas que circula pelo mundo está diminuindo, é verdade. De acordo com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, no Paraná cerca de 1,1 milhão de correspondências são distribuídas por dia. Destas, apenas 5% são pessoais. O restante é postado por empresas, como extratos bancários, malas-direta e boletos de pagamento. A empresa afirma que o volume das correspondências pessoais têm diminuído significativamente nos últimos anos.
Mas as cartas ainda não estão em extinção. Elas circulam por aí e continuam valiosas, embora não tenham mais o mesmo significado. Para o escritor Moacyr Scliar, escrever cartas é uma arte. Em uma de suas crônicas, ele lembra da importância histórica e afetiva das páginas escritas à mão. Vários manuais eram dedicados à sua elaboração. Elas eram respeitadas e comprometedoras, assim como os documentos. Valiam como provas de amor e até de crimes. Dificilmente a caligrafia deixava de denunciar o verdadeiro culpado.
As cartas também podem ser terapêuticas. Escrevê-las é um exercício muito utilizado pela Psicologia. “É uma maneira muito eficiente de elaborar a raiva e os ressentimentos. É um desabafo, uma espécie de catarse por escrito. Também é um instrumento importante para se comunicar com alguém na falta de coragem ou de oportunidade”, explica a psicóloga Sheila Rabuske.
Se o remetente está distante, é como se as cartas te levassem ao seu encontro. “Como se um pedaço de você fosse enviado junto. Quem na adolescência, nunca recebeu uma carta borrifada de perfume ou com um beijo carimbado de batom? Ler cartas é uma experiência que envolve os sentidos”, acredita Sheila.
Para a socióloga Olga Maria Mattar, professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), é fato que os jovens estão mais propensos aos e-mails, mas os mais velhos e conservadores ainda não. Também é importante lembrar que a internet não é acessível a todos no Brasil. “Os costumes se transformam com o passar dos anos, mas muitos ainda se expressam melhor com papel e caneta. O e-mail é muito invasivo e não é 100% privado ou seguro. As cartas são ideais para aqueles assuntos mais íntimos que não podem ser falados ao telefone, muito menos escritos em um e-mail.”
jenniferk@gazetadopovo.com.br
Serviço: Sheila Rabuske (psicóloga), fone (41) 3223-9101 / Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, site www.correios.com.br.
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