Comportamento

Voluntariado, substantivo feminino

Luciana Penante, especial para a Gazeta do Povo - lucianal@gazetadopovo.com.br
15/08/2010 03:02
Tarla Teixeira Tiburtius, 29 anos, é formada em Relações Internacionais e engrossa a estatística. Apai­­xonada por crianças, foi à reu­­­­nião para saber por onde começar. “Quando eu era novinha fui tentar ser voluntária por con­­­­ta própria num hospital in­­­­fantil. E aí aconteceu de não estar preparada. Vi cenas muito fortes, fiquei mal e desisti. Agora sinto que estou pronta.”
Para que a desistência seja menor, o CAV estimula a reflexão nas palestras aos candidatos a voluntários. Segundo Thiago Baise, analista de projetos na ong, tendo consciência sobre nossa própria vida, podemos tomar decisões que fazem sentido: “Pensar quais são seus desejos de transformação, pesquisar as suas demandas e da sociedade e conhecer as organizações onde é possível atuar faz com que o impulso de ser voluntário ganhe consistência e entre na sua vida de maneira transformadora”.
Depois dessa análise de consciência, é possível se tornar treinador de futebol, professora de dança, de capoeira, ou ser contador de histórias no Instituto História Viva, por exemplo, grupo que treina voluntários para visitar semanalmente hospitais, asilos e creches fazendo contação de histórias.
Ao todo são 120 instituições cadastradas e mais 85 escolas em Curitiba e região metropolitana. Dá para exercer várias outras atividades que, embora tomem pouco tempo na rotina de quem se voluntaria, fazem muita diferença para aqueles que recebem carinho e atenção. É possível até se tornar um dos “anjos” do Centro de Valorização da Vida (CVV), grupo de voluntários que atende ligações as 24 horas do dia de pessoas que precisam desabafar.
Apesar de algumas instituições trabalharem em período integral, os voluntários dedicam relativamente pouco tempo à atividade. O CAV recomenda no máximo oito horas semanais de serviço em cada instituição. E uma vez comprometido, é importante não deixar a instituição na mão.
Joseana Wendling Withers sabe disso. Desde 2007 dá aulas de hip-hop todos os sábados para crianças e adolescentes com paralisia cerebral. Formada em fisioterapia, ela procurou o Hospital de Clínicas com a proposta de tentar a reabilitação neurológica de crianças e adolescentes por meio da dança. Deu tão certo que a experiência se tornou dissertação de mestrado e foi agregando cada vez mais pessoas até se tornar um projeto de extensão da Universidade Federal do Paraná. Hoje, o grupo de dança Guerreiros do Hip-Hop conta com 30 membros que ensaiam regularmente. Antes das aulas, eles fazem um lanche que também conta com o apoio de voluntários do curso de Terapia Ocupacional da UFPR, que auxilia no manuseio dos alimentos para que essas crianças tenham mais autonomia. E o trabalho também se estende aos pais: enquanto os pequenos dançam, eles frequentam um grupo de apoio com alunos do curso de Psicologia da universidade. A iniciativa que começou com Joseana vem colhendo frutos. “Para mim, é uma satisfação e doação contínua. Sou movida por uma enorme vontade de transformar a realidade. Hoje, cada objetivo conquistado com eles me faz pensar no próximo”, conta a orgulhosa professora. E a inclusão social dos dançarinos também é visível: já se apresentaram para plateias de até 500 pessoas.
Serviço:
Centro de Ação Voluntária de Curitiba, Rua Ébano Pereira, 359, centro. Mais informações no telefone (41) 3322-8076 ou no site www.acaovoluntaria.org.br.
O grupo Guerreiros do Hip-Hop precisa de ajuda para custear as diárias da próxima viagem. Contato pelo fone (41) 9219-1215.