Moda e beleza
No universo da joalheria, o Paraná brilha cada vez mais graças ao trabalho ousado de diversos profissionais. Entre eles estão Maria Dolores, Rodrigo Alarcón e Silvia Döring, designers de joias reconhecidos nacionalmente e também no exterior. Para Alarcón, por mais que o estado não tenha tanta tradição na exploração de minérios, o que influencia o setor, o Paraná se destaca em premiações de design, assim como tem uma “cultura de consumo da joia”, o que fortalece o mercado.
Em relação aos consumidores curitibanos, Maria Dolores observa que esse é um público “conservador, crítico e bastante exigente”, e que está disposto a prestigiar os designers locais, como relata Silvia Döring: “Posso falar baseada na minha experiência: abri minha primeira loja há cinco anos e a segunda há dois. Estou crescendo todos os anos”. A seguir, conheça mais sobre esses designers e suas peças.
Silvia Döring
“Sou muito exigente com o acabamento das peças. Não adianta uma joia ser linda se ela incomodar na hora de usar.”
Conforto acima de tudo
Qualidade e conforto são duas preocupações fundamentais para a designer de joias Silva Döring, 40 anos. “Sou muito exigente com o acabamento das peças. E não adianta uma peça ser linda se ela incomodar na hora de usar”, diz a curitibana, que se lançou como joalheira em 1996. Daquela época, ela lembra com orgulho das comparações que recebeu com o estilo do designer carioca Antônio Bernardo. “Ele é para mim o melhor de todos.” Após trabalhar como designer para a Bergerson, em 2007, Silvia criou sua própria marca, tendo total liberdade criativa. “Prefiro não seguir a moda e, no máximo, uso cores que são tendência, como alaranjado e pastéis, que serão moda no próximo verão. Para criar, escolho um tema que me chama a atenção.” Em sua nova coleção, que acaba de ser lançada, a designer buscou inspiração na obra da artista curitibana Janete Mehl, em peças com banho de ouro e quartzo rutilado. “São todas únicas, feitas por mim, como se fossem as esculturas de Janete. É uma coleção com modelos grandes, mas com muita leveza e movimento.”
Maria Dolores
“Me transporto muito para as criações que faço. Cada peça leva um pouco de mim.”
Pegada fashion
Piano piano se va lontano. A expressão “devagar se vai ao longe”, em italiano, serve como mantra para a designer curitibana Maria Dolores, 32 anos, que não esconde a vontade de, no futuro, atingir em cheio o mercado internacional. Formada em desenho industrial, ainda na faculdade ela montou com as amigas uma marca de bijuterias, a Catarina Cacilda. “Surgiu como um hobby, a partir de alguns acessórios que criei e que fizeram sucesso entre as amigas”, conta. O trabalho nas horas vagas passou a ficar sério quando ela foi convidada para renovar a linha de joias da Bergerson. Como designer, Maria amadureceu ainda mais ao fazer cursos na Itália, até que, em 2008, decidiu criar a sua marca. De lá para cá, abriu quatro lojas: duas em Curitiba, uma em Maringá e outra em Londrina. A designer também expõe suas peças nas lojas Daslu do Rio e São Paulo, e em outubro abre sua primeira franquia em Goiânia. A “pegada fashion” é uma das características das suas peças, que misturam materiais nobres (folhados a outro e prata) e alternativos (como madeira, couro e miçangas de vidro). Em sua próxima coleção de verão, que será lançada em outubro, Maria pretende unir “a arte manual do tear de miçangas com o metal folheado a ouro e pedras brasileiras”.
Rodrigo Alarcón
“Nós materializamos sonhos com pedras preciosas e metal.”
Prazer em surpreender
Desde o momento em que criou um anel para sua mãe, aos 13 anos, uma sensação de prazer permanece inalterada para o designer de joias Rodrigo Alarcón, 50 anos. “É uma satisfação perceber o olhar de surpresa e de encanto de quem abre um estojo e se depara com uma peça que eu fiz”, diz o ponta-grossense, que já teve uma loja em Buenos Aires e criou joias para a princesa Marie da Dinamarca e para o príncipe brasileiro Dom Bertrand de Orléans e Bragança. O designer é apaixonado por gemas, especialmente as brasileiras, como o topázio imperial e a turmalina paraíba, que aparecem com muita frequência em suas peças. O caráter artesanal e singular de suas criações é outra marca do seu trabalho. “O meu objetivo é criar joias únicas e que tenham vida longa. Tenho clientes que usam modelos meus há décadas e continuam arrasando. O bom desenho é eterno”, observa ele, que também adora criar adereços para desfiles de moda.
Quem for a sua loja ainda encontra peças da sua última coleção Dragões Imperiais da China. Mas a partir de outubro ele lança uma coleção inspirada no rock and roll, com peças feitas em prata grafite, e até o fim do ano entram no mercado joias inspiradas nos tropeiros.
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