Saúde e Bem-Estar

Homens (quase) de ferro

Larissa Jedyn - larissa@gazetadopovo.com.br
08/08/2010 03:09
Neles, a doença surge com o processo de envelhecimento, potencializado pela associação de fatores como tabagismo, alcoolismo, sedentarismo, uso de corticóides, queda na produção de hormônios, baixa ingestão de cálcio e histórico familiar. “Nas mulheres, só a menopausa é suficiente para facilitar a instalação da osteoporose. Os homens são protegidos nesta questão por terem uma estrutura óssea maior e mais forte. Neles, a osteoporose chega mais tarde – quando o indivíduo está mais velho e já tem, na maioria das vezes, doenças associadas – e as fraturas têm sequelas mais graves (dores, incapacitação, tempo maior de recuperação) e maiores índices de mortalidade em decorrência dessas fraturas”, aponta a médica Victória Borba, presidente da Sociedade Brasileira de Endo­­crinologia no Paraná. Entre os homens, a mortalidade por causa de fraturas causadas pela osteoporose chega a 36% no ano. As mulheres somam 24%.
“As mulheres começam a apresentar problemas por volta dos 55 ou 60 anos e geralmente têm fraturas de antebraço e coluna, que são sérias, mas não requerem muito tempo de internamento nem causam incapacitação. Os homens, por volta dos 70 anos, passam a sofrer principalmente de fraturas no fêmur ou de quadril, que fazem com que se perca a mobilidade, há necessidade de colocação de prótese e os riscos de complicações são muito maiores”, explica Victória. De acordo com o médico ortopedista e traumatologista Marco Antonio Pedroni, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e Universidade Posi­­tivo, os homens sofrem mais com as doenças degenerativas – como as artroses, que são desgastes articulares decorrentes da senilidade ou atividades intensas –, lesões musculares e ligamentares.
Diagnóstico tardio
As mulheres já se acostumaram a investigar o histórico familiar atrás de casos de osteoporose e, depois de uma certa idade, a acrescentar na lista de exames periódicos a densitometria óssea. Nos homens, a preocupação geralmente é tardia e quase sempre vem seguida de uma queda grave. “É muito importante que os homens também investiguem o histórico familiar para casos de osteoporose, quedas e fraturas importantes. Mais ainda se este homem sofrer de doenças crônicas, tiver histórico de hepatite ou transplante. Essas questões determinam muitas vezes o risco de desenvolvimento da osteoporose, já que interferem na renovação óssea. E se a isso se somarem ingestão de bebida alcoólica, tabagismo, deficiência de vitamina D e pouco consumo de cálcio, o risco se torna ainda maior”, explica Victória.