As mulheres que passaram a disputar com os homens a dianteira nas estatísticas de doenças vasculares por conta dos males da vida atual, agora correm o risco de antecipar a menopausa. E os vilões são os mesmos. Recentemente, pesquisadores da Universidade de Versailles, na França, divulgaram que mulheres que se submetem a longas jornadas de trabalho e exercem atividades estressantes têm mais chance de entrar na menopausa antes do tempo. Não seriam casos de menopausa precoce, mas um adiantamento de um ano no ciclo natural – que normalmente ocorre entre os 48 e 52 anos. O estudo, que analisou 1.5 mil mulheres, descobriu que as que trabalhavam mais de 48 horas por semana apresentavam maior tendência de iniciar a menopausa antes da idade média de 52 anos em relação as que tinham curtas jornadas de trabalho. Liderada pelo professor Bernard Cassou, a pesquisa estima que o estresse, combinado a longas horas de trabalho, afeta o ciclo reprodutivo feminino.
Segundo o ginecologista Edison Luiz Tizzot, professor adjunto da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a resposta pode estar no fato dos hábitos terem o poder de alterar a liberação dos hormônios ovarianos – estrogênio e progesterona –, que é de responsabilidade do hipotálamo. Por exemplo, mulheres esportistas com treinos muito intensos, tabagistas e depressivas podem ter uma queda no nível de estrogênio, o que pode levá-las à suspensão temporária ou definitiva da mestruação. “O estresse atua como um coadjuvante, uma vez que também pode interferir na liberação dos hormônios. Isso porque o sistema límbico (que controla as emoções) é vizinho do hipotálamo e a influência entre ambos é direta”, explica. Por isso, a indicação dos ginecologistas é que, a partir dos 35 anos, as mulheres pratiquem atividade física regular, tenham alimentação balanceada e mantenham hábitos saudáveis.
Para o médico Rosires Pereira de Andrade, professor titular de Reprodução Humana da UFPR e diretor do Centro de Estudos e Pesquisas Médicas, estresse e tabagismo são fatores de risco para qualquer doença, mas não há ainda como determinar que causem um impacto tão definitivo para o fim da fase reprodutiva. Os especialistas aconselham procurar um médico ao sinal de qualquer irregularidade no fluxo para que a mulher tenha a chance de evitar a falência ovariana precoce e, se for o caso, possa “salvar” óvulos para uma futura gravidez. “Pela citologia vaginal é possível antecipar alguma alteração, confirmada pelos níveis hormonais e apresentação de sintomas”, diz Tizzot.
A menopausa precoce, segundo ele, é uma doença, principalmente pelo fato do corpo estar programado para deixar de ter capacidade reprodutiva numa determinada idade. A alteração hormonal antecipada – característica da menopausa – pode impactar em outras questões, como é o caso da formação e manutenção de massa óssea. “A mulher tem um relógio biológico que está programado para que tudo tenha um tempo certo. Do contrário, o organismo se ressente, os sintomas acabam sendo mais exuberantes e as mulheres sofrem mais com depressão, disfunções sexuais e tendência a osteoporose”, informa Tizzot. Por isso, segundo Rosires Pereira de Andrade, depois de diagnosticada a menopausa precoce, é necessário o tratamento de reposição hormonal.
De acordo com o médico, as principais causas da falência ovariana precoce são a retirada dos ovários, o contato com drogas que destróem o tecido ovariano – como medicamentos quimioterápicos e radioterápicos – e as doenças auto-imunes.
larissa@gazetadopovo.com.br
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