O que você levaria para uma corrida de mil quilômetros?
Amanda Milléo
17/02/2016 15:00
(Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo) | Letícia Akemi
A partir das 8h do próximo sábado (20), o corredor e professor de educação física Fábio Moralles Alonso irá de Curitiba até a sua cidade natal, Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul, correndo. Ao todo, serão 1.068 quilômetros percorridos em 21 dias, carregando uma mochila com mantimentos que pesam 12 quilos, enquanto corre no acostamento da estrada que liga os três estados do sul do país. A jornada termina no dia 12 de março, mas o objetivo principal não é nem chegar ao ponto final da corrida.
Tchê, como Fabio é conhecido pelos amigos e clientes, quer que a corrida chame a atenção para os esportes adaptados. Como pensava em correr um trajeto de longa distância há algum tempo, decidiu mesclar a oportunidade com uma função social. Montou uma página no site de crowdfunding Catarse, estipulou a meta de R$ 55 mil e criou o projeto KM Social.
Todo o dinheiro que for doado através do site será destinado ao atleta Eduardo França, que é o melhor paratleta paranaense em maratonas, e à Equipe Paranaense de Bocha Adaptada, modalidade praticada por atletas com paralisia cerebral. “A ideia é que o KM Social não se restrinja a minha corrida, mas que qualquer pessoa possa criar um desafio e beneficiar outras entidades, ONGs e projetos sociais”, explica Tchê.
No sábado, ao mesmo tempo em que o Fábio começar o desafio dos mil quilômetros, 16 amigos e colegas corredores – chamados de Embaixadores do KM Social – correrão 50km em Curitiba, a fim de chamar a atenção para o projeto. Até o dia final da prova do Tchê, os embaixadores também correrão todos os finais de semana.
(Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo)
Dormir? Até debaixo da ponte
Correr todo mundo consegue. Agora, correr com uma mochila e uma pochete que pesam juntas 12 quilos e carregam 142 itens diferentes, quatro garrafas com água e suplementos alimentares, meias de compressão, óculos escuro, boné e prestando atenção aos carros que passam muito perto do acostamento da estrada é um desafio completamente diferente.
Ao longo dos 21 dias, Fabio fará uma média de 55 km por dia, de Curitiba até Rio Grande (RS). “Exceto dois dias, um que farei 78 km e no outro mais de 100 km, quando estiver bem próximo da linha de chegada”, conta. Serão sete a nove horas, todos os dias, só correndo. Para distrair, um aparelho para ouvir músicas, e um caderno para relatar as aventuras do dia.
À noite, hotéis, postos de gasolina e até mesmo embaixo da ponte serão os pousos de descanso. Banho? Quem precisa de água corrente quando se tem produtos de limpeza dry-clean?
Sem parar de correr, Tchê fará suas alimentações à base de suplementos alimentares, cápsulas de aminoácidos (oito por dia, em média, que virarão proteína e músculos), pacotes de nozes, castanhas, amêndoas, salames, torrones e balas de goma. Todos em quantidades exatas – nem mais, nem menos. “Não consigo levar além por causa do peso. Sei exatamente onde elas estão, como abrir o pacote com uma mão. Estou craque nisso!”, diz.
Dica de corredor contra assaduras
Quem corre sabe – e mesmo quem não corre consegue imaginar – as assaduras que um short folgado ou um fiozinho de camiseta pode causar. Para evitar muitas assaduras em uma corrida de mais de mil quilômetros, Tchê está levando vaselina, hidratantes e cremes de benjoim, que aceleram a cicatrização de bolhas.